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Caso de elevador em João Pessoa gera embate entre construtora e condomínio após mulher ficar paraplégica

Médicos avaliam chances de reversão do quadro da vítima enquanto disputa judicial amplia debate sobre segurança em elevadores

G1
Caso de elevador em João Pessoa gera embate entre construtora e condomínio após mulher ficar paraplégica Foto: Reprodução

Caso Elevador: Médicos avaliam chances de reversão da paraplegia e construtora culpa condomínio por falta de manutenção

As investigações sobre o acidente no condomínio Reserve Altiplano I, em João Pessoa, ganharam novos capítulos técnicos e jurídicos. Enquanto a vítima, a estrangeira Sharon Karim, de 36 anos, aguarda uma cirurgia decisiva, a construtora e a administração do prédio travam uma batalha de versões sobre a responsabilidade do sinistro.

Quadro Clínico: A Esperança na Cirurgia

O Dr. Matheus Enomoto, diretor clínico do Hospital de Trauma de João Pessoa, detalhou a gravidade da lesão sofrida por Sharon. A paciente teve uma fratura na vértebra L1, que resultou em um "choque medular" (edema/inchaço na medula), impossibilitando o movimento das pernas.

"A paciente apresenta paralisia dos membros inferiores, mas ainda é precoce dizer que o quadro é definitivo. Ela passará por um procedimento cirúrgico para estabilização e, após algumas semanas de recuperação, poderemos avaliar a evolução neurológica e as chances de retomada dos movimentos", explicou o médico.

Sharon, que é natural da Holanda e tem familiares nos EUA, está consciente e orientada, apesar das fortes dores. Os filhos, de 3 e 5 anos, escaparam sem lesões graves devido à "elasticidade óssea infantil", segundo a equipe médica.

Relatos de "Cenário de Guerra"

Cibele Queiroga, vizinha que auxiliou no resgate, descreveu o momento pós-queda como desesperador. Ela relatou ter ouvido um estrondo similar ao desabamento de tijolos e, ao abrir a porta do poço, encontrou o local tomado por fumaça e destroços.

  • Sharon estava caída no fosso do elevador, tentando proteger os filhos com os próprios braços.

  • A cabine parou no térreo, mas o impacto projetou os ocupantes para a área inferior (fosso).

Embate Jurídico: Quem é o Responsável?

A tragédia expôs um conflito direto entre as partes envolvidas:

A Versão da Construtora (Grupo GP)

Em nota oficial, a construtora lamentou o ocorrido, mas afirmou que a responsabilidade pela manutenção é exclusiva do condomínio desde a entrega do empreendimento, há cerca de três anos. A empresa alega que já havia alertado a administração sobre a necessidade de revisões constantes.

A Versão do Condomínio

O condomínio rebate as acusações, afirmando que os equipamentos apresentam defeitos de fabricação (vícios) desde a inauguração. O advogado do residencial destacou que há uma ação judicial em curso exigindo a substituição total das máquinas, alegando que os elevadores são "subdimensionados" e tecnicamente falhos.

O Olhar Especialista: Dr. Inaldo Dantas

O Dr. Inaldo Dantas, consultor condominial, reforça que o caso deve servir de exemplo para outros gestores.

"Não adianta apenas emitir notas de pesar. A gestão condominial precisa ser proativa. Se o elevador apresenta falhas intermitentes por anos, como relatado pelos moradores, a interdição deve ser total. O síndico responde civil e criminalmente por manter em operação um equipamento que oferece risco à vida", alerta Dantas.

O especialista ainda orienta que os moradores de outros blocos (o problema também foi relatado no Reserve Altiplano II e III) busquem assessoria jurídica imediata para garantir a segurança de suas famílias antes que novos incidentes ocorram.


Resumo dos Fatos:

  • Vítima: Sharon Karim (36 anos), paraplégica no momento.

  • Causa Provável: Queda livre do 2º andar até o fosso.

  • Status Judicial: Condomínio e Construtora em litígio pela troca das máquinas.

  • Próximos Passos: Sharon será transferida para um hospital particular para a cirurgia de coluna.




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