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Tragédia em João Pessoa expõe falhas graves de segurança em elevadores de condomínios

Caso que deixou mulher paraplégica reacende debate sobre manutenção, responsabilidade técnica e omissão diante de riscos em elevadores

G1
Tragédia em João Pessoa expõe falhas graves de segurança em elevadores de condomínios Queda de elevador em condomínio em João Pessoa deixa mulher paraplégica

Tragédia em João Pessoa: Queda de elevador que deixou mulher paraplégica expõe negligência e falhas de segurança em condomínios

O grave acidente ocorrido em um residencial no bairro do Altiplano, em João Pessoa, onde um elevador despencou por três andares, transcende o drama familiar e acende um alerta vermelho para síndicos e moradores de todo o país. O caso, que resultou na paraplegia de uma moradora de 36 anos, revela um cenário de alertas ignorados e insegurança jurídica.

O Acidente: O "Prenúncio de uma Tragédia Anunciada"

Na noite do incidente, uma mãe e seus dois filhos (de 3 e 5 anos) utilizavam o equipamento quando este sofreu uma queda livre. Enquanto as crianças sofreram escoriações leves e traumas psicológicos, a mãe permanece internada com lesões permanentes na coluna.

Moradores relatam que o elevador do Bloco B já apresentava sinais de colapso há meses:

  • Histórico de Incêndio: O mesmo equipamento já havia registrado um princípio de incêndio anteriormente.

  • Inundação e Ruídos: Relatos de vazamento de água no poço e barulhos metálicos eram constantes.

  • Falha de Carga: Mesmo com capacidade para seis pessoas, o elevador travava com apenas três.

O Impasse Judicial e a "Luta Contra o Tempo"

A gestão do condomínio afirma que já havia acionado a Justiça contra a construtora, obtendo uma liminar para a substituição de todos os 11 elevadores do complexo. No entanto, o processo entrou em uma fase de recursos judiciais que impediu a execução da troca. O CREA-PB, em fiscalização recente, confirmou que a documentação de manutenção (ART) estava irregular em parte das empresas contratadas, agravando a responsabilidade dos envolvidos.


A Análise do Especialista: Dr. Inaldo Dantas

Em entrevista exclusiva, o especialista em condomínios Dr. Inaldo Dantas foi enfático ao analisar as falhas que levaram ao acidente.

1. O Erro das "Exceções Perigosas"

Um cartaz no prédio informava que os elevadores estavam "inaptos para uso", mas abria exceções para idosos, gestantes e pessoas com mobilidade reduzida.

"Essa placa é uma prova contra o próprio condomínio", afirma Inaldo Dantas. "Se um equipamento é considerado inapto por um parecer técnico, ele deve ser interditado imediatamente. Abrir exceção para os mais vulneráveis é, na verdade, expor quem tem menos agilidade ao maior risco. É o que chamamos no Direito de dolo eventual: quando se assume o risco de produzir o resultado fatal."

2. Responsabilidade Compartilhada

Para o Dr. Inaldo, a responsabilidade é multifacetada:

  • A Construtora: Pela entrega de equipamentos que apresentam vícios ocultos ou defeitos de fabricação desde a inauguração.

  • O Condomínio/Síndico: Pela omissão em não desligar o equipamento definitivamente diante do perigo iminente.

  • A Empresa de Manutenção: Pela falha na prestação do serviço técnico ou falta de emissão da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).

3. A Lei Estadual 10.229/2013

O especialista lembra que existe uma legislação específica na Paraíba que obriga a manutenção rigorosa e o credenciamento das empresas no CREA.

"A periodicidade da manutenção é definida pela empresa técnica, mas o síndico é o guardião dessa segurança. Ele não pode ser refém de uma decisão judicial que demora; ele tem o poder — e o dever — de paralisar o serviço para proteger a vida", pontua Dantas.


Guia de Segurança: O que o seu condomínio deve fazer?

Para evitar que novos acidentes destruam famílias, o Dr. Inaldo Dantas e autoridades do CREA sugerem o seguinte protocolo:

AçãoDetalhamento Técnico
Interdição TotalSe houver ruído estranho, desnível na parada ou falha no fechamento, o elevador deve ser lacrado até o reparo definitivo.
Exigência da ARTToda manutenção deve gerar uma ART assinada por um engenheiro mecânico. Sem isso, o serviço é ilegal.
Auditoria ExternaSe a empresa de manutenção não resolve o problema, o condomínio deve contratar um consultor independente para um laudo imparcial.
Consulta ao CREAVerifique no site do conselho se a empresa contratada possui registro ativo e se o engenheiro responsável é habilitado.

O caso agora segue para investigação policial, onde perícias técnicas detalhadas deverão apontar o ponto exato da falha mecânica ou eletrônica que causou a queda.








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