Mulher fica paraplégica após queda de elevador em condomínio de João Pessoa
Paciente teve lesão na coluna confirmada e caso reacende debate sobre falhas estruturais, manutenção e responsabilidade em elevadores
Elevador despenca três andares em prédio residencial em João Pessoa; três pessoas ficam feridas — Foto: TV Cabo Branco A mulher de 36 anos que ficou ferida após a queda de um elevador em um condomínio residencial no bairro do Altiplano, em João Pessoa, teve diagnóstico confirmado de paraplegia em decorrência de uma lesão grave na coluna vertebral. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (14) pelo diretor do Hospital de Trauma de João Pessoa, Laécio Bragante, ao g1.
Segundo o diretor, o diagnóstico foi constatado pelo setor responsável do hospital e comunicado à família da paciente. Ele explicou que a paraplegia é consequência direta do trauma sofrido no momento em que o elevador despencou do terceiro andar do edifício.
Ainda de acordo com o médico, a paciente é estrangeira e a família solicitou a transferência dela para um hospital particular em João Pessoa. Apesar disso, já havia programação cirúrgica para estabilização da coluna, procedimento considerado essencial para evitar agravamento do quadro neurológico.
“Quando há um trauma desse, é preciso fazer a estabilidade nas vértebras para não haver dano adicional à medula. Essa cirurgia é feita colocando placas laterais para a coluna ficar estável, alinhando pelo menos três vértebras”, explicou o diretor.
No momento do acidente, a vítima estava acompanhada de duas crianças dentro da cabine do elevador. As crianças, de 3 e 5 anos, sofreram apenas escoriações, foram levadas ao Hospital de Trauma e receberam alta na manhã desta quinta-feira (14). Elas ficaram sob os cuidados de um morador do condomínio, amigo da família, e permanecem no apartamento da mãe.
O acidente ocorreu quando o elevador despencou do terceiro andar de um prédio residencial no bairro do Altiplano, na última quarta-feira (13). Após a queda, as vítimas ficaram presas no fosso do elevador e foram resgatadas por moradores antes da chegada do Corpo de Bombeiros e do Samu.
Em nota, a administração do condomínio informou que priorizou o atendimento às vítimas e que prestou apoio imediato às famílias envolvidas. O condomínio também afirmou que registra problemas técnicos nos elevadores desde a entrega do empreendimento, em setembro de 2023, e que buscou a Justiça diante da falta de solução definitiva.
A construtora responsável, a GGP, declarou que a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os elevadores, passa a ser do condomínio após o início do uso regular pelos moradores, e afirmou estar à disposição para colaborar com as investigações.
Ainda segundo relatos e documentos do processo, o condomínio já havia acionado a construtora na Justiça por supostos vícios estruturais nos elevadores. Entre as denúncias estão incêndio no fosso do elevador do Bloco B, quedas abruptas de cabines, travamentos frequentes, interrupções constantes e falhas em sistemas de segurança.
Um laudo técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 reforça as suspeitas de problemas graves no equipamento do Bloco B, onde ocorreu o desabamento. O documento aponta ausência de sinalização de segurança, falta de controle de acesso à casa de máquinas, inexistência de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico e ausência de ventilação adequada.
O laudo também cita problemas na organização da instalação elétrica, falta de dispositivos de resgate emergencial e falhas na máquina de tração do elevador, que “não atende à capacidade de peso da estrutura e não atende às normas de segurança”, recomendando a substituição completa do equipamento com prioridade alta.
Em janeiro de 2025, a Justiça chegou a determinar a substituição dos elevadores do empreendimento, mas a construtora recorreu e o processo segue em tramitação na Justiça da Paraíba.
O caso reacende o alerta sobre segurança em elevadores de condomínios, manutenção preventiva, responsabilidade técnica e a necessidade de fiscalização rigorosa em sistemas de transporte vertical em edifícios residenciais.



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