Reforma em condomínio exige regras técnicas, aprovação e cuidados jurídicos
Diego Basse alerta para riscos estruturais, multas e conflitos causados por obras sem planejamento em condomínios
Imagem ilustrativa Manual da Reforma em Condomínios: Segurança, Legalidade e a Boa Convivência
Viver em comunidade exige que o direito de propriedade seja equilibrado com o bem-estar coletivo. Entenda as normas técnicas e jurídicas que regem as obras em apartamentos e casas sobrepostas.
O desejo de personalizar o lar é comum, mas, em um condomínio, o "quebra-quebra" não é uma decisão puramente individual. O planejamento de uma reforma deve seguir um rito que envolve normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), legislações municipais e o regimento interno de cada edificação.
Em entrevista recente ao Diário TV, o advogado especialista em direito condominial, Diego Basse, esclareceu que a negligência nessas regras pode resultar não apenas em multas pesadas, mas em riscos reais à integridade das estruturas.
O Pilar da Segurança: A Norma NBR 16.280
Desde que entrou em vigor, em 2014, a NBR 16.280 mudou a forma como as obras são geridas. Ela estabelece que qualquer alteração que possa impactar a segurança do edifício deve ser submetida à aprovação do síndico.
O que é necessário: O morador deve apresentar um plano de reforma detalhado.
Responsabilidade Técnica: É obrigatória a entrega de uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), assinada por um engenheiro, ou um RRT (Registro de Responsabilidade Técnica), assinado por um arquiteto.
O papel do síndico: Ele tem o dever de fiscalizar se o que foi planejado está sendo executado, podendo inclusive paralisar a obra caso as normas não sejam cumpridas.
Transparência e Gestão de Conflitos
Um dos maiores desafios durante uma reforma é o barulho. Diego Basse destaca que a gestão transparente é a melhor ferramenta contra conflitos. Muitos condomínios adotam a divulgação das unidades em obra, uma prática considerada legal e saudável.
"Ao dar publicidade sobre quais unidades estão em reforma, o síndico permite que os vizinhos se organizem, especialmente aqueles em home office ou com crianças pequenas. Isso gera tolerância e previsibilidade", afirma o especialista.
Manutenção e Danos Estruturais: A Origem do Problema
Conflitos sobre vazamentos e rachaduras são recordistas em assembleias. A regra de ouro para definir quem paga a conta é identificar a natureza da tubulação:
Rede Horizontal (Ramal): São os canos que servem exclusivamente ao apartamento. Se o vazamento começa ali, o proprietário é o responsável.
Rede Vertical (Coluna ou Prumada): É a tubulação central que atende a todos os andares. Sendo área comum, o custo do reparo é do condomínio.
A Etiqueta Digital nos Grupos de Moradores
Com a popularização do WhatsApp, as reclamações ganharam rapidez, mas também agressividade. O advogado faz um alerta importante: o aplicativo não substitui os canais oficiais do condomínio.
"Muitos moradores e até gestores estão sendo processados por danos morais devido a exposições desnecessárias em grupos. Reclamações de barulho ou irregularidades devem ser feitas pelo livro de ocorrências ou canais administrativos", orienta Basse.
Checklist antes de começar:
Consulte o Regimento Interno: Verifique horários permitidos para entrada de materiais e descarte de entulho.
Notifique a Administração: Não inicie sem o "nada opor" do síndico após a entrega da documentação técnica.
Gestão de Utilidades: Em casos de mudança ou locação, certifique-se de que as contas de consumo (como luz e gás) foram devidamente transferidas ou desligadas pelo antigo ocupante, evitando cobranças indevidas e burocracia no início da nova moradia.
Nota: Este conteúdo possui caráter informativo. Em caso de dúvidas específicas sobre sua obra, consulte sempre o regulamento interno do seu condomínio e profissionais habilitados (engenheiros e advogados).



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