Conflitos por prestação de contas destacam importância do diálogo em condomínios
Falhas na comunicação sobre finanças e transparência geram atritos entre moradores e gestão em condomínios do Maranhão
Imagem ilustrativa Falta de transparência na prestação de contas agrava conflitos em condomínios, alerta especialista
A prestação de contas segue como um dos temas mais sensíveis dentro da gestão condominial e, quando não é conduzida com clareza e diálogo, pode se transformar em um dos principais gatilhos de conflitos entre síndicos e moradores. A avaliação é da mediadora de conflitos Maiara Lamar, que destacou a importância da transparência e da comunicação contínua para a manutenção de uma convivência harmoniosa.
Segundo a especialista, embora todos os moradores contribuam mensalmente com as taxas condominiais, nem sempre conseguem compreender ou acessar de forma clara como os recursos estão sendo utilizados.
“Quando a informação é clara, o fluxo de convivência melhora e o conflito tende a não surgir. Já a ausência de esclarecimentos cria um ambiente propício para desentendimentos”, afirma.
Transparência é direito do condômino
A dificuldade ou resistência no acesso à prestação de contas impacta diretamente a relação entre gestão e condôminos. Para Maiara Lamar, a transparência não é apenas uma boa prática administrativa, mas um direito do morador.
“Uma liderança que não dialoga e não apresenta as contas de forma acessível acaba abalando a confiança e o relacionamento dentro do condomínio”, explica.
Ela ressalta que a prestação de contas deve contemplar não apenas números, mas também informações sobre contratos firmados, decisões tomadas e despesas previstas. Quando isso não ocorre, o ambiente se torna propício a conflitos, especialmente durante as assembleias.
Assembleias: espaço de decisão que exige preparo
De acordo com a especialista, as assembleias são momentos naturalmente delicados, pois envolvem decisões coletivas e, principalmente, questões financeiras.
“Quando se mexe no bolso, o clima tende a ficar mais tenso. A falta de informação prévia potencializa esse desgaste”, observa.
A ausência de esclarecimentos ao longo da gestão faz com que a assembleia, que deveria ser um espaço de diálogo e construção conjunta, se transforme em um ambiente inflado, com confrontos e dificuldades de comunicação entre os envolvidos.
Informação contínua como estratégia de prevenção
Para evitar conflitos mais intensos, Maiara defende a adoção de uma postura preventiva por parte da gestão. Isso inclui a divulgação constante de informações, explicações sobre o regulamento interno e atualizações periódicas sobre decisões administrativas.
“A falta de comunicação inflama o ambiente e prejudica a administração como um todo”, pontua.
Ela destaca que muitos conflitos poderiam ser evitados se a transparência fosse praticada de forma contínua, e não apenas em momentos pontuais, como nas assembleias ordinárias.
Mediação como ferramenta para restaurar o diálogo
A mediação aparece como uma alternativa eficaz para reorganizar a comunicação em condomínios que enfrentam conflitos relacionados à prestação de contas. Segundo Maiara Lamar, o mediador pode atuar especialmente durante as assembleias, auxiliando na condução das falas, garantindo escuta mútua e promovendo um ambiente mais equilibrado.
“O mediador ajuda a pontuar as questões, organiza o diálogo entre condôminos, síndico e administradora, e faz com que todos se sintam ouvidos e assistidos”, conclui.
A especialista reforça que investir em transparência, diálogo e mediação não apenas reduz conflitos, mas fortalece a confiança na gestão e contribui para uma convivência mais saudável no ambiente condominial.

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