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Comissão aprova circulação de animais domésticos em áreas comuns de condomínios

Projeto altera o Código Civil para impedir proibições à presença de pets em áreas comuns, mas ainda precisa passar por outras etapas antes de virar lei

Câmara dos Deputados
Comissão aprova circulação de animais domésticos em áreas comuns de condomínios Reprodução

Comissão aprova circulação de animais domésticos em áreas comuns de condomínios

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1711/25, que altera o Código Civil para garantir a livre circulação de animais domésticos nas áreas comuns de condomínios, desde que estejam sob responsabilidade de um cuidador. A proposta ainda está em tramitação e não tem força de lei.

O texto aprovado impede que normas internas dos condomínios proíbam a presença de animais domésticos nas áreas comuns, incluindo elevadores de serviço e escadas. A medida pretende estabelecer uma regra nacional para uma questão que atualmente não possui previsão específica no Código Civil.

A proposta é de autoria do deputado Célio Studart (PSD-CE) e recebeu parecer favorável do relator, deputado Chico Alencar (Psol-RJ). Segundo o relator, a iniciativa busca evitar proibições consideradas arbitrárias e reduzir conflitos relacionados à presença de animais nos condomínios.

O projeto também estabelece que a garantia de circulação dos animais não elimina a possibilidade de o condomínio estabelecer medidas relacionadas à segurança, higiene e sossego dos moradores.

Na prática, isso significa que a proposta não pretende retirar do condomínio a possibilidade de organizar o uso das áreas comuns. O objetivo é impedir que regras internas simplesmente proíbam a presença de animais domésticos nesses espaços.

Atualmente, o Código Civil assegura ao condômino o direito de utilizar as áreas comuns do edifício, mas não apresenta uma regra específica sobre a circulação de animais nesses locais.

A ausência de uma regulamentação específica contribui para a existência de diferentes interpretações e pode resultar em conflitos entre tutores de animais, síndicos e demais moradores.

A discussão ganha relevância diante do crescimento da presença de cães e gatos em condomínios residenciais. Questões como utilização de elevadores, circulação por corredores e escadas e acesso a determinadas áreas comuns frequentemente aparecem entre os assuntos que exigem maior atenção da administração.

Caso o projeto avance e seja transformado em lei, convenções e regimentos internos deverão observar a nova regra. Isso poderá exigir a revisão de determinadas normas condominiais que atualmente estabeleçam restrições incompatíveis com a legislação.

Ao mesmo tempo, a proposta preserva a necessidade de responsabilidade por parte dos tutores. O animal deverá estar acompanhado por um cuidador durante a circulação, evitando que a garantia de acesso às áreas comuns seja interpretada como autorização para circulação sem controle.

A questão também envolve a necessidade de preservar o direito ao sossego e à segurança dos demais moradores. A convivência entre pessoas e animais exige responsabilidade, especialmente em empreendimentos com grande número de residentes.

Nesse contexto, síndicos e administradores continuam tendo papel importante na organização da convivência. Mesmo diante de eventual mudança legislativa, poderão ser necessárias regras relacionadas à higiene, segurança, controle dos animais e utilização adequada das áreas comuns, desde que respeitados os limites estabelecidos pela legislação.

A aprovação na Comissão de Meio Ambiente, portanto, representa apenas uma etapa da tramitação. O projeto seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Como tramita em caráter conclusivo, poderá avançar sem necessidade de votação em Plenário, caso sejam cumpridas as etapas previstas e não haja recurso.

Para que se torne lei, entretanto, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Até que isso aconteça, as regras atualmente aplicáveis aos condomínios continuam em vigor. Por isso, a aprovação do projeto não significa que os animais já estejam autorizados por uma nova lei a circular livremente em todos os condomínios do país.

O avanço da proposta, porém, coloca novamente no centro do debate a relação entre direitos dos tutores, bem-estar animal e regras de convivência condominial.

Para os síndicos, acompanhar a tramitação é importante, especialmente porque uma eventual aprovação poderá exigir mudanças em convenções, regimentos internos e procedimentos adotados pela administração.

Para os moradores, a discussão representa uma possível mudança na forma como a circulação de cães e gatos nas áreas comuns será tratada juridicamente.

O projeto aprovado pela comissão busca, justamente, estabelecer um equilíbrio entre esses interesses: garantir a presença dos animais nas áreas comuns, sem afastar a responsabilidade dos tutores e a necessidade de preservar a segurança, a higiene e o sossego da coletividade.

Assim, a proposta ainda está longe de representar uma mudança definitiva nas regras dos condomínios, mas sinaliza uma possível transformação na legislação sobre a convivência com animais domésticos nos empreendimentos residenciais brasileiros.




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