Publicidade

Rede de recarga para carros elétricos cresce no Brasil e pode reduzir pressão por carregadores em condomínios

País já possui mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos, ampliando alternativas aos motoristas e reforçando a necessidade de avaliar tecnicamente a instalação de carregadores em edifícios

Redação | Condomínio Interativo
Rede de recarga para carros elétricos cresce no Brasil e pode reduzir pressão por carregadores em condomínios Imagem ilustrativa

Rede de recarga para carros elétricos cresce no Brasil e muda debate sobre instalações em condomínios

A infraestrutura de recarga para veículos elétricos avança rapidamente no Brasil e começa a alterar a relação dos motoristas com os condomínios. Em maio de 2026, o país alcançou 25.429 pontos públicos e semipúblicos de carregamento, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), realizado em parceria com a plataforma Tupi Mobilidade.

O crescimento é expressivo. Em 2022, eram 2.955 pontos. Em menos de quatro anos, portanto, a rede aumentou aproximadamente 8,6 vezes, representando uma expansão superior a 760%.

Somente entre fevereiro e maio de 2026, foram instalados 4.369 novos pontos, alta de 20,7% em apenas três meses. Na média, isso representa aproximadamente dois novos carregadores adicionados à rede a cada hora.

Os números mostram que a recarga de veículos elétricos deixou de ser uma estrutura concentrada nas residências e passou a fazer parte da infraestrutura urbana, comercial e rodoviária brasileira.

Para o mercado condominial, esse movimento traz uma questão cada vez mais relevante: diante da expansão dos pontos externos de recarga, todos os edifícios precisam necessariamente instalar carregadores individuais nas garagens?

A resposta depende das características de cada empreendimento. A ampliação da rede externa não elimina a importância da recarga residencial, mas cria alternativas que podem permitir aos condomínios avaliar com mais cautela a necessidade, o momento e o modelo de implantação de uma infraestrutura própria.

Carregadores rápidos ganham espaço

Dos 25.429 pontos públicos e semipúblicos contabilizados em maio, 16.828 eram equipamentos de corrente alternada, conhecidos como carregadores AC. Outros 8.601 eram carregadores rápidos de corrente contínua, os chamados DC.

Os equipamentos DC já representam aproximadamente 34% da infraestrutura nacional e apresentaram crescimento de 32,8% entre fevereiro e maio. No mesmo período, os carregadores AC avançaram 15,4%.

A expansão dos carregadores rápidos é especialmente relevante para a experiência do usuário, pois reduz o tempo necessário para recuperar parte da autonomia do veículo. O tempo efetivo de recarga, entretanto, depende da potência disponível na estação, das características do automóvel e da capacidade de recebimento da bateria.

O Brasil também chegou a 1.788 municípios com alguma infraestrutura de recarga. No Nordeste, o número de cidades atendidas cresceu 9,7% entre fevereiro e maio de 2026, maior expansão proporcional entre as regiões brasileiras nesse indicador.

Em maio, a região contava com 4.542 pontos públicos e semipúblicos, dos quais 1.962 eram carregadores rápidos.

Onde os motoristas podem encontrar carregadores?

A expansão da infraestrutura também ocorre de maneira descentralizada. Os pontos de recarga podem ser encontrados em diferentes tipos de estabelecimentos e locais, como:

  • shoppings;
  • supermercados;
  • restaurantes;
  • hotéis e pousadas;
  • postos de combustíveis;
  • concessionárias de veículos;
  • estacionamentos comerciais;
    • centros empresariais;
    • lojas e oficinas;
    • empreendimentos imobiliários;
    • rodovias e corredores turísticos.

Aplicativos especializados, como o PlugShare, também ajudam os motoristas a localizar estações, verificar tipos de conectores, consultar potência, avaliações e planejar deslocamentos.

Antes de utilizar um ponto, porém, é importante conferir informações como horário de funcionamento, condições de acesso, compatibilidade do conector, potência disponível, custo da recarga e regras do estabelecimento. O fato de uma estação estar cadastrada em uma plataforma não significa necessariamente que ela esteja disponível 24 horas por dia ou permanentemente acessível.

Expansão externa muda a discussão nos condomínios

A possibilidade de carregar o veículo durante uma compra, refeição, hospedagem, jornada de trabalho ou viagem reduz a dependência exclusiva da garagem residencial.

Isso não significa que os carregadores em condomínios tenham perdido importância. A recarga no local de moradia continua oferecendo conveniência e, em muitos casos, pode apresentar menor custo por quilômetro rodado.

A diferença é que o crescimento da rede pública e semipública permite que os condomínios considerem outras estratégias, especialmente quando a implantação de uma infraestrutura interna exige investimentos elevados.

Em edifícios antigos, por exemplo, a instalação de diversos carregadores pode demandar intervenções significativas na infraestrutura elétrica. Dependendo das condições do empreendimento, podem ser necessários:

  • aumento da carga disponibilizada pela concessionária;
  • substituição ou ampliação de transformadores;
  • novos quadros elétricos;
  • instalação de eletrocalhas, cabos e alimentadores;
  • adequação do sistema de aterramento;
  • instalação de proteções elétricas;
  • alterações na infraestrutura da garagem;
  • sistemas de medição e faturamento da energia;
  • gerenciamento ou balanceamento dinâmico de carga;
  • adequações relacionadas à segurança contra incêndio;
  • elaboração de projetos e emissão de responsabilidade técnica.

Em determinados edifícios, o investimento pode ser elevado para atender inicialmente uma quantidade pequena de usuários.

Por isso, a discussão não deve se limitar à pergunta sobre permitir ou não carregadores nas vagas. O ponto central é identificar qual solução é técnica, econômica e operacionalmente adequada para aquele condomínio, considerando a demanda atual, o crescimento previsto e a disponibilidade de alternativas externas.

Um carregador por vaga pode não ser a melhor solução

A liberação de instalações individuais sem um planejamento global pode resultar em uma infraestrutura fragmentada e de difícil gerenciamento.

Um condomínio pode ter capacidade para atender os primeiros carregadores instalados, mas não necessariamente possuir margem suficiente para suportar dezenas de equipamentos no futuro.

Um carregador residencial de 7,4 kW, por exemplo, representa uma carga relevante quando comparada ao consumo de uma unidade habitacional. Quando diversos equipamentos funcionam simultaneamente, a demanda pode superar a capacidade disponível nos alimentadores, quadros, transformadores ou na própria entrada de energia do edifício.

Por isso, o planejamento não deve considerar apenas a carga de um equipamento isolado. É necessário avaliar o cenário de expansão e a simultaneidade de utilização.

Entre as alternativas que podem ser analisadas estão:

  • criação de pontos de recarga compartilhados;
  • limitação do número de equipamentos em funcionamento simultâneo;
  • agendamento ou rodízio de utilização;
  • redução programada da potência;
  • recarga em horários de menor demanda;
  • balanceamento dinâmico de carga;
  • expansão gradual da infraestrutura;
  • utilização complementar da rede pública e semipública.

Em alguns condomínios, poucos pontos compartilhados e gerenciados podem ser mais eficientes do que a instalação de um equipamento em cada vaga. Em outros, a recarga individual pode ser perfeitamente viável, desde que exista infraestrutura adequada e um padrão técnico previamente definido.

Não existe, portanto, uma solução única aplicável a todos os edifícios.

Estudo de viabilidade deve preceder qualquer instalação

Antes de autorizar a instalação de um carregador, o condomínio deve avaliar tecnicamente as condições da edificação.

Entre os pontos que precisam ser considerados estão o perfil de consumo, a demanda máxima registrada, a capacidade disponível na entrada de energia, as condições de quadros, cabos e alimentadores, a capacidade dos transformadores e o sistema de aterramento.

Também devem entrar na análise a distância entre os quadros e as vagas, a potência e a quantidade de carregadores pretendidos, a simultaneidade provável, a possibilidade de crescimento da demanda, a necessidade de gerenciamento inteligente e a forma de medição e cobrança da energia.

As exigências da distribuidora de energia e as condições de segurança contra incêndio e pânico também precisam fazer parte do estudo.

Em determinadas situações, uma medição elétrica durante um período representativo de funcionamento do edifício pode ser necessária para identificar a demanda real, os horários críticos e a margem disponível.

A simples existência de disjuntores aparentemente livres em um quadro elétrico, por exemplo, não comprova que o condomínio tenha capacidade para receber novos carregadores.

Segurança contra incêndio também precisa entrar no projeto

A análise não termina na infraestrutura elétrica. A instalação de carregadores também precisa considerar as exigências de segurança contra incêndio e pânico estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros de cada estado.

As regras não são necessariamente iguais em todo o país. Por isso, o projeto deve observar a regulamentação estadual aplicável, o projeto de segurança contra incêndio da edificação e as normas técnicas pertinentes.

Em Pernambuco, o Decreto Estadual nº 59.579/2025 alterou o Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico e estabeleceu diretrizes relacionadas às áreas de recarga. Entre as orientações estão a não instalação dessas áreas em subsolos ou pavimentos semienterrados e a priorização do térreo, em área externa e descoberta, além da demarcação e identificação das vagas destinadas à recarga.

O decreto também atribui ao Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco a definição de critérios adicionais por meio de norma técnica específica. A NT 017 do CBMPE, que trata do tema, estabelece requisitos relacionados à segurança, incluindo medidas como sistemas de sprinklers, detecção e alarme de incêndio, conforme as condições e características da instalação.

A questão ganha ainda mais relevância em edifícios existentes, nos quais as garagens frequentemente estão localizadas em subsolos, áreas fechadas ou espaços que não foram originalmente projetados para receber sistemas de recarga veicular.

Dependendo da regulamentação aplicável, das características da edificação e da solução adotada, podem ser necessários recursos como detecção e alarme de incêndio, chuveiros automáticos, sinalização, dispositivos de desligamento de emergência, ventilação ou controle de fumaça e adequações nas rotas de fuga.

A instalação elétrica também precisa contar com circuitos corretamente dimensionados, aterramento, dispositivos de proteção e equipamentos compatíveis com o modo de recarga utilizado.

O serviço deve ser conduzido por profissional legalmente habilitado, com a documentação de responsabilidade técnica correspondente, como a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), quando aplicável.

Rede externa não elimina a necessidade de planejamento interno

A expansão dos eletropostos não significa que os condomínios devam deixar de se preparar para a eletromobilidade. O que muda é o contexto em que essa decisão será tomada.

Um edifício localizado próximo a shoppings, supermercados, restaurantes, postos, concessionárias e estações de recarga rápida apresenta uma realidade diferente de um condomínio situado em uma região com pouca cobertura.

Também devem ser considerados fatores como:

  • quantidade atual de veículos elétricos e híbridos plug-in;
  • previsão de crescimento da demanda;
  • perfil de deslocamento dos moradores;
  • autonomia média dos veículos;
  • disponibilidade de carregadores próximos;
  • custo das adequações internas;
  • capacidade financeira do condomínio;
  • limitações físicas e elétricas da edificação;
  • exigências do Corpo de Bombeiros.

Para condomínios com limitações elétricas, físicas ou relacionadas à segurança contra incêndio, uma rede externa robusta pode permitir a adoção de soluções graduais, compartilhadas ou complementares, reduzindo a necessidade de grandes investimentos imediatos.

O que o síndico deve fazer diante de um pedido de instalação?

Ao receber uma solicitação para instalação de carregador, o síndico não deve autorizar o equipamento apenas com base no projeto apresentado pelo morador ou pela empresa fornecedora.

A proposta precisa ser analisada dentro do contexto global da edificação.

Entre as medidas recomendáveis estão:

  1. solicitar os dados técnicos do carregador e da instalação pretendida;
  2. verificar a regulamentação do Corpo de Bombeiros aplicável;
  3. contratar profissional ou empresa habilitada para avaliar a capacidade elétrica do condomínio;
  4. analisar a demanda atual e o cenário futuro de expansão;
  5. estabelecer um padrão técnico para as instalações;
  6. definir regras de acesso, medição, cobrança, manutenção e responsabilidade;
  7. verificar a necessidade de deliberação em assembleia;
  8. exigir projeto e documentação técnica, incluindo a responsabilidade profissional correspondente;
  9. verificar a necessidade de comunicação ou aprovação da distribuidora;
  10. manter projetos, laudos e registros das instalações arquivados.

A assembleia é importante para as deliberações que cabem aos condôminos, mas não substitui a análise de engenharia. Uma decisão aprovada em assembleia não torna tecnicamente segura uma solução incompatível com a capacidade elétrica do edifício ou com as exigências de segurança contra incêndio.

Da mesma forma, uma instalação não deve ser recusada apenas por receio genérico. Eventuais restrições precisam estar fundamentadas em estudos técnicos, limitações documentadas ou exigências legais e normativas.

Planejamento pode evitar investimentos precipitados

A mobilidade elétrica tende a continuar avançando no Brasil, e os condomínios precisarão incorporar essa transformação ao planejamento de suas infraestruturas.

Isso não significa, porém, que todos os edifícios precisem instalar imediatamente um carregador para cada unidade ou cada vaga.

O crescimento da rede pública e semipública cria novas possibilidades para os motoristas, que podem combinar a recarga residencial com estações localizadas no trabalho, em shoppings, supermercados, restaurantes, hotéis, concessionárias, postos e corredores rodoviários.

Para condomínios que enfrentam limitações elétricas, físicas ou relacionadas à segurança contra incêndio, essas alternativas podem reduzir a urgência de intervenções amplas e permitir que a infraestrutura interna seja implantada de maneira gradual, controlada e financeiramente sustentável.

A questão, portanto, não deve ser tratada apenas como uma disputa entre liberar ou proibir carregadores.

A decisão precisa considerar engenharia, segurança, demanda, custos, regras de utilização e perspectivas de crescimento.

Mais do que responder à pressão imediata por uma tomada na garagem, cabe ao condomínio construir uma estratégia de recarga que seja segura, tecnicamente viável e compatível com a realidade da edificação.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login