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Preços dos imóveis sobem 14,7% em 12 meses, mas valorização perde força

IGMI-R acumula alta de 14,73% até agosto, enquanto Recife, Curitiba e Salvador registram avanços acima da média nacional.

Folha de S.Paulo
Preços dos imóveis sobem 14,7% em 12 meses, mas valorização perde força Placas de venda de imóveis na rua Gabriele D'Annunzio no bairro do Itaim BIbi, zona sul de São Paulo; índice mostra que os preços continuam avançando em 2026, embora em ritmo menos intenso do que nos dois anos anteriores - Zanone Fraissat -17.ju.24/F

Preços dos imóveis sobem 14,7% em 12 meses, mas valorização perde força

Os preços dos imóveis residenciais continuam em trajetória de alta no Brasil, mas o ritmo de valorização vem perdendo intensidade. Em agosto de 2026, o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), calculado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), avançou 0,87%, depois de registrar alta de 0,61% em julho.

Na comparação com os 12 meses anteriores, o índice acumulou alta de 14,73%. Apesar de ainda representar uma valorização expressiva, o resultado confirma o quinto mês consecutivo de desaceleração nessa janela. Em março, os preços residenciais acumulavam alta próxima de 20% em 12 meses.

O comportamento do mercado mostra, portanto, uma combinação de valorização ainda elevada com perda gradual de velocidade. Os imóveis continuam subindo de preço, mas o avanço anual está menor do que o registrado no início de 2026.

A valorização também permanece acima da inflação. Segundo os dados divulgados pela Abecip e reproduzidos pela Folha, a alta dos imóveis em 12 meses supera o avanço de 4,22% dos preços ao consumidor no mesmo período. O mercado residencial também apresentou desempenho superior ao dos aluguéis, que acumularam alta de 5,09% em 12 meses, segundo o IVAR, índice calculado pela Fundação Getulio Vargas.

A diferença entre os indicadores mostra que a valorização dos imóveis não pode ser explicada apenas pela elevação dos custos de construção. De acordo com a Abecip, fatores como oferta disponível, demanda, condições de crédito e características específicas de cada mercado também participam da formação dos preços.

O resultado acumulado entre janeiro e agosto reforça a desaceleração em relação aos anos anteriores. Nesse período, o IGMI-R registrou alta de 6,56%. O resultado ficou abaixo dos 10,19% acumulados nos oito primeiros meses de 2025 e dos 9% registrados no mesmo intervalo de 2024. Ainda assim, a valorização permanece acima das taxas observadas em vários períodos anteriores.

A média nacional, porém, esconde diferenças importantes entre as capitais. Os mercados imobiliários apresentam comportamentos distintos, influenciados pelas condições locais de oferta, demanda, renda, crédito, estoque e características dos imóveis disponíveis.

Recife aparece como principal destaque. A capital pernambucana acumulou valorização de 25,81% nos 12 meses até agosto, a maior entre as dez capitais acompanhadas pelo IGMI-R. Entre janeiro e agosto, a alta chegou a 12,04%.

O resultado coloca Recife em uma posição de destaque no mercado residencial nacional. A capital também registrou alta mensal de 1,44% em agosto, ficando atrás apenas de Porto Alegre e Belo Horizonte entre as cidades acompanhadas pelo índice naquele mês.

Curitiba aparece na sequência entre as maiores valorizações anuais, com alta de 21,19% em 12 meses. Salvador registrou avanço de 19,20%, enquanto Brasília acumulou 18,41%. Porto Alegre também apresentou valorização anual acima da média brasileira, chegando a 16,66%.

Os números mostram que a valorização não está concentrada em uma única região do país. Ao mesmo tempo, a diferença entre as capitais evidencia que fatores locais têm peso significativo na formação dos preços residenciais.

Em agosto, Porto Alegre apresentou a maior valorização mensal entre as capitais analisadas, com avanço de 1,66%. Belo Horizonte veio em seguida, com 1,65%, enquanto Recife registrou alta de 1,44%.

Curitiba foi a única capital acompanhada pelo levantamento a registrar queda mensal em agosto, de 0,23%. Apesar disso, a cidade manteve uma das maiores valorizações acumuladas no ano, com alta de 8,82%.

São Paulo, por sua vez, teve alta de 0,81% em agosto, depois de avançar 0,25% em julho. No acumulado de janeiro a agosto, a capital paulista registrou valorização de 5,57%, abaixo da média nacional de 6,56% no período.

O cenário reforça que o comportamento dos preços dos imóveis precisa ser analisado de acordo com cada mercado. Uma valorização expressiva em determinada capital não significa que o mesmo movimento esteja ocorrendo em todas as cidades ou bairros.

Para compradores, os dados também mostram que a evolução dos preços não ocorre de maneira uniforme. A localização continua sendo um dos principais elementos para compreender a dinâmica do mercado, ao lado da oferta de imóveis, da procura, do padrão das unidades e das condições de financiamento.

No caso dos condomínios, a valorização dos imóveis residenciais também pode ter reflexos sobre o patrimônio dos proprietários. Quando os preços das unidades aumentam, o valor de mercado dos apartamentos pode acompanhar o movimento, embora a valorização efetiva de cada empreendimento dependa de fatores específicos.

Características como localização, conservação, infraestrutura, segurança, áreas comuns, padrão construtivo e custos condominiais podem influenciar a percepção de valor de uma unidade. Por isso, os indicadores nacionais servem como referência, mas não determinam o preço de um apartamento individualmente.

Outro aspecto relevante é a relação entre preço de venda e aluguel. O IGMI-R acumulou alta de 14,73% em 12 meses, enquanto o IVAR avançou 5,09% no mesmo período. A diferença indica que os preços de venda dos imóveis vêm crescendo em ritmo superior ao dos contratos de locação residencial.

Essa diferença pode ser relevante para proprietários que avaliam a rentabilidade de imóveis destinados à locação. O aumento do valor de mercado da propriedade não significa necessariamente aumento proporcional da renda mensal obtida com aluguel.

Para investidores, portanto, a análise do mercado precisa considerar tanto a valorização patrimonial quanto a receita gerada pelo imóvel. Taxa de ocupação, aluguel praticado na região, custos de manutenção, condomínio, impostos e condições de financiamento são variáveis que podem alterar o resultado de uma operação.

O cenário de 2026 também mostra que a valorização dos imóveis está ocorrendo em um ambiente de desaceleração. O índice ainda apresenta crescimento significativo, mas a sequência de cinco meses de redução da taxa acumulada em 12 meses indica uma perda gradual de intensidade.

Essa desaceleração não significa queda generalizada dos preços. O próprio IGMI-R continua registrando altas mensais e acumuladas, enquanto todas as dez capitais acompanhadas pelo levantamento apresentaram valorização no acumulado de 2026 até julho.

A trajetória dos próximos meses dependerá da combinação entre demanda, oferta de imóveis, condições de crédito, custos de construção e características específicas de cada mercado. Para compradores e vendedores, acompanhar os indicadores nacionais e locais pode ajudar a compreender melhor o momento do setor.

O levantamento mais recente deixa, portanto, dois sinais simultâneos para o mercado imobiliário brasileiro: os imóveis continuam se valorizando em ritmo superior à inflação, mas a velocidade dessa valorização vem diminuindo. Enquanto a média nacional chegou a 14,73% em 12 meses, capitais como Recife, Curitiba e Salvador apresentaram desempenhos significativamente superiores.

Para o mercado condominial, os números reforçam a importância de observar a valorização não apenas como um indicador financeiro, mas também como reflexo das características de cada região. Em um cenário de forte diferença entre cidades, localização, infraestrutura e qualidade dos empreendimentos permanecem elementos importantes na formação do valor dos imóveis.




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