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Economia prateada deve movimentar R$ 3,8 trilhões e transformar mercado imobiliário até 2044

Crescimento do público com 50 anos ou mais aumenta a demanda por imóveis acessíveis, serviços próximos, áreas verdes e espaços de convivência.

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Economia prateada deve movimentar R$ 3,8 trilhões e transformar mercado imobiliário até 2044 (Foto: Freepik)

Economia prateada deve movimentar R$ 3,8 trilhões e transformar mercado imobiliário até 2044

O crescimento da população com 50 anos ou mais começa a provocar mudanças importantes no mercado imobiliário brasileiro. Segundo dados do estudo Brasil Prateado, elaborado pelo Data8, esse grupo já movimenta cerca de R$ 1,8 trilhão por ano no país, valor equivalente a 24% do consumo privado dos domicílios brasileiros. A projeção é de que esse montante chegue a R$ 3,8 trilhões até 2044, quando a participação da população 50+ deverá alcançar 35% do consumo nacional.

O avanço da chamada economia prateada está relacionado não apenas ao aumento da população mais velha, mas também à maior participação desse público no consumo. De acordo com os dados apresentados na reportagem, o Brasil já ultrapassou 59 milhões de pessoas com 50 anos ou mais. O consumo mensal per capita desse grupo é 38% superior ao registrado entre pessoas abaixo dessa faixa etária.

A transformação demográfica também modifica as expectativas em relação à moradia. Com o aumento da longevidade, o imóvel deixa de ser avaliado apenas pelo tamanho, localização ou número de dormitórios e passa a ser observado também pela capacidade de acompanhar diferentes momentos da vida dos moradores.

Nesse cenário, acessibilidade, mobilidade, segurança, áreas de convivência, proximidade de serviços e qualidade dos espaços urbanos ganham importância. A tendência não significa necessariamente a criação de empreendimentos destinados exclusivamente a idosos, mas o desenvolvimento de projetos que possam atender moradores em diferentes fases da vida.

A reportagem destaca que bairros planejados podem representar uma das respostas a essa mudança. Percursos caminháveis, áreas verdes, comércio e serviços próximos, espaços de convivência e opções de lazer podem contribuir para que os moradores mantenham autonomia e tenham acesso mais fácil às atividades do cotidiano.

O conceito também amplia a discussão sobre o próprio planejamento dos condomínios. Empreendimentos residenciais precisam considerar que seus moradores podem permanecer por muitos anos no mesmo imóvel e que suas necessidades podem mudar ao longo do tempo. Elementos de acessibilidade e facilidade de circulação, por exemplo, podem deixar de ser características específicas para determinados públicos e passar a integrar projetos pensados para diferentes gerações.

Um dos exemplos citados pela reportagem é o Rioparque, bairro planejado desenvolvido pela Novo Ambiente Urbanismo em Tijucas, Santa Catarina. O projeto ocupa uma área de 460 mil metros quadrados e prevê parque linear aberto ao público, com aproximadamente dois quilômetros, além de ruas arborizadas, caminhos para pedestres e ciclistas, áreas esportivas e espaços de convivência.

O empreendimento também prevê um open mall com comércio, gastronomia e serviços, além de conexão com os rios Tijucas e Oliveira e uma marina privativa para 240 embarcações, sendo 90 barcos e 150 motos aquáticas, segundo a reportagem.

A proposta exemplifica uma mudança na concepção de moradia: em vez de concentrar todas as necessidades dentro do imóvel, o planejamento urbano procura aproximar residência, serviços, lazer, natureza e mobilidade.

A economia prateada também cria oportunidades para segmentos específicos do mercado imobiliário. Empreendimentos voltados ao público 60+, por exemplo, vêm ganhando espaço no país, inclusive com modelos que combinam moradia, serviços de saúde e bem-estar. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) já destacou o crescimento desse tipo de empreendimento diante do aumento da expectativa de vida e da participação da população acima de 50 anos no consumo.

O movimento também alcança o mercado de residenciais voltados especificamente para pessoas idosas. Empresas do segmento vêm ampliando operações e apostando em modelos de moradia que combinam estrutura residencial e serviços especializados. A expansão desse mercado ocorre paralelamente ao crescimento projetado da economia prateada.

Para o mercado imobiliário, o envelhecimento da população representa, portanto, uma mudança no perfil da demanda. Incorporadoras, urbanistas e administradores de empreendimentos passam a lidar com consumidores que podem permanecer economicamente ativos por mais tempo e que apresentam necessidades específicas relacionadas à autonomia, mobilidade e qualidade de vida.

A transformação também interessa aos condomínios já existentes. Adaptações de acessibilidade, melhoria da circulação, comunicação adequada, segurança e qualificação das áreas comuns podem se tornar cada vez mais relevantes diante da mudança no perfil etário dos moradores.

Mais do que criar imóveis exclusivamente destinados ao público idoso, a tendência apontada pelos dados é de uma arquitetura e um planejamento urbano capazes de acompanhar a vida dos moradores por períodos mais longos. Com a projeção de que a economia prateada alcance R$ 3,8 trilhões em 2044, o envelhecimento da população passa a representar também uma variável importante para as decisões futuras do setor imobiliário brasileiro.




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