Marcondes Bernardo
Tudo o que pode ser medido pode ser melhorado: o S10 e a evolução da gestão condominial
Programa desenvolvido pela Ability Serviços utiliza indicadores, tecnologia, governança e boas práticas para estimular a profissionalização de síndicos
“Tudo o que pode ser medido pode ser melhorado.”
Foi com essa reflexão que iniciei minha palestra no S10 – Síndicos de Excelência. A frase resume um princípio que considero essencial para qualquer gestão profissional: não existe evolução consistente sem indicadores, critérios, acompanhamento e capacidade de reconhecer aquilo que precisa ser aperfeiçoado.
Durante muito tempo, a administração condominial foi avaliada principalmente pela percepção dos moradores. Se o condomínio estava aparentemente organizado, as contas estavam sendo pagas e não havia grandes conflitos, entendia-se que a gestão estava funcionando.
O mercado amadureceu. E a complexidade dos condomínios também.
Hoje, administrar um condomínio envolve responsabilidade financeira, trabalhista, jurídica, operacional, tecnológica e, sobretudo, uma enorme responsabilidade sobre o patrimônio e os recursos de terceiros. Nesse cenário, a pergunta deixa de ser apenas “a gestão está boa?” e passa a ser: “quais indicadores demonstram que essa gestão está realmente evoluindo?”
Foi a partir dessa visão que a Ability Serviços desenvolveu o programa S10 – Síndicos de Excelência.
Gestão profissional precisa de indicadores
O S10 foi estruturado para avaliar práticas de gestão que efetivamente contribuam para condomínios mais organizados, seguros, transparentes e eficientes.
Não se trata de um concurso de popularidade. Também não basta ter um condomínio bonito ou realizar muitas ações durante o mandato. O programa procura observar procedimentos concretos adotados pelos síndicos e os resultados produzidos por essas decisões.
Entre os critérios avaliados estão práticas como a utilização de prestação de contas digital, permitindo maior organização documental, rastreabilidade e facilidade de acesso às informações.
Também são considerados processos relacionados à gestão de pessoas, como a utilização de contracheques e folhas de ponto digitais, contribuindo para uma administração trabalhista mais organizada e para a formação de registros adequados.
Outro aspecto importante é a tecnologia aplicada à gestão financeira. Nesse contexto, avaliamos a utilização de soluções integradas ao ERP da administradora, como o PJBank, possibilitando automatização de conciliações e maior integração dos processos de recebimentos e pagamentos.
O objetivo é simples: reduzir atividades manuais, minimizar possibilidades de erro, aumentar a rastreabilidade das operações e permitir que administradora e síndico utilizem melhor o tempo disponível.
Tecnologia não substitui gestão. Ela melhora a gestão.
Digitalizar um processo apenas para dizer que ele é digital não representa necessariamente evolução.
A tecnologia precisa resolver problemas.
Quando uma ferramenta permite automatizar uma conciliação que anteriormente dependia de conferência manual, existe ganho de eficiência. Quando documentos passam a possuir melhor organização e rastreabilidade, existe ganho de segurança. Quando o síndico consegue acessar informações de maneira rápida e transparente, existe ganho de governança.
É exatamente essa mentalidade que procuramos estimular no S10.
Da mesma forma, são avaliadas práticas relacionadas à terceirização de mão de obra, quando adequadamente estruturada e compatível com a realidade do condomínio. A terceirização pode representar uma importante ferramenta para profissionalização operacional, permitindo ao síndico concentrar sua atuação em atividades estratégicas e de fiscalização, sem perder o controle sobre a qualidade dos serviços prestados.
Outro ponto relevante é a manutenção e atualização das rotinas e programas relacionados à Segurança e Saúde no Trabalho – SST.
Não basta contratar funcionários. É necessário administrar corretamente as obrigações decorrentes dessa relação, acompanhar procedimentos, documentar ações e trabalhar preventivamente.
Integridade também é indicador de excelência
Existe ainda um aspecto que considero indispensável: a reputação da gestão.
Excelência não pode ser medida exclusivamente por números financeiros ou indicadores operacionais.
Por isso, entre os critérios considerados pelo programa está o histórico relacionado à própria administração condominial, inclusive a inexistência de situações judiciais relevantes decorrentes de condutas incompatíveis com uma gestão responsável.
Um bom síndico administra patrimônio, dinheiro, contratos, funcionários e interesses coletivos. Consequentemente, integridade, responsabilidade e boa governança precisam fazer parte da avaliação.
Em outras palavras, excelência não significa apenas fazer muito.
Significa fazer corretamente.
Um programa que já ultrapassa as fronteiras de Pernambuco
O S10 nasceu em Pernambuco, mas sua proposta já começa a chamar a atenção em nível nacional.
O modelo de avaliação por indicadores, reconhecimento de boas práticas e desenvolvimento contínuo dos síndicos vem ganhando espaço no mercado condominial brasileiro justamente por enfrentar uma questão cada vez mais presente no setor: como transformar boa gestão em algo mensurável, comparável e replicável?
Esse reconhecimento nacional alcançou um importante marco em 2026, quando o S10 – Síndicos de Excelência foi tema apresentado no Next 2026, um dos principais eventos do mercado condominial do Brasil.
Levar o programa para um ambiente nacional de discussão representa muito mais do que divulgar uma iniciativa criada pela Ability Serviços. Significa colocar em debate um novo olhar sobre a profissão de síndico e sobre a própria administração condominial.
É a demonstração de que boas práticas desenvolvidas regionalmente podem contribuir para a evolução do mercado em todo o país.
O que começou como uma metodologia para avaliar e desenvolver gestores passa, pouco a pouco, a se tornar uma referência de discussão sobre profissionalização, tecnologia, governança, indicadores e excelência na gestão condominial.
Entrar para o S10 é apenas o começo
Um dos principais diferenciais do programa está justamente no que acontece depois da classificação.
Após a formação do grupo S10, os síndicos selecionados passam por um ciclo de aproximadamente 12 meses de acompanhamento e desenvolvimento, participando de encontros com especialistas de diferentes áreas do mercado.
São abordados temas jurídicos, financeiros, administrativos, operacionais, tecnológicos e estratégicos.
Portanto, o reconhecimento não representa o encerramento de uma jornada.
Representa o início de outra.
A proposta é formar um ambiente permanente de troca de experiências, atualização profissional e desenvolvimento de novas práticas. Síndicos que apresentam bons resultados também precisam continuar aprendendo. Talvez essa seja, inclusive, uma das características mais importantes de quem alcança níveis elevados de desempenho: compreender que sempre existe algo a aperfeiçoar.
Quem mede consegue enxergar. Quem enxerga consegue melhorar.
Imagine dois condomínios.
No primeiro, o síndico acredita que sua gestão melhorou.
No segundo, o síndico consegue demonstrar quanto reduziu a inadimplência, quais processos foram digitalizados, quais contratos foram revisados, quais manutenções preventivas foram realizadas, como estão as obrigações trabalhistas, quais riscos foram mitigados e quais indicadores evoluíram durante determinado período.
Existe uma diferença enorme entre acreditar que melhorou e conseguir demonstrar a melhoria.
Essa mudança de mentalidade é fundamental para o futuro do mercado condominial.
Precisamos sair cada vez mais da administração baseada exclusivamente em percepção e avançar para uma gestão fundamentada em dados, processos, indicadores, transparência e governança.
Uma bússola que precisa permanecer ajustada
O S10 também produz aprendizado para a própria Ability Serviços.
Os síndicos participantes não são apenas avaliados. Eles também contribuem com experiências, críticas, sugestões e feedbacks que ajudam a identificar oportunidades de melhoria nos processos da administradora.
Essa relação é fundamental.
Uma empresa que pretende permanecer próxima dos seus clientes precisa estar preparada para ouvi-los. Mais do que ouvir elogios, precisa possuir maturidade para receber críticas, analisar processos e promover mudanças quando necessárias.
Por isso, costumo defender a importância de manter uma bússola moral permanentemente ajustada.
Tecnologia muda. Processos mudam. Legislação muda. O mercado muda.
Mas alguns princípios precisam permanecer: transparência, responsabilidade, ética, respeito aos recursos administrados e compromisso com a melhoria contínua.
O futuro da gestão condominial passa pela profissionalização
O condomínio moderno movimenta recursos expressivos, administra estruturas complexas, possui funcionários, prestadores de serviços, contratos, obrigações legais e um patrimônio que, em muitos casos, representa dezenas ou centenas de milhões de reais.
Não existe mais espaço para uma administração baseada apenas em improvisação.
O síndico contemporâneo precisa compreender indicadores, utilizar tecnologia, conhecer riscos, cercar-se de profissionais especializados e, principalmente, estar disposto a revisar permanentemente seus próprios métodos.
É exatamente nesse ponto que volto à frase que abriu minha palestra:
Tudo o que pode ser medido pode ser melhorado.
Mas acrescentaria uma segunda reflexão: aquilo que não medimos dificilmente conseguimos administrar com precisão.
O propósito do S10 não é simplesmente apontar quem são os melhores síndicos.
É criar referências, estimular boas práticas, compartilhar conhecimento e elevar continuamente o padrão da administração condominial — primeiro em Pernambuco e, cada vez mais, contribuindo para essa discussão em nível nacional.
Porque reconhecer a excelência é importante.
Criar condições para que ela continue evoluindo é ainda mais importante.

SOBRE O AUTOR
Marcondes Bernardo | Gestão e Marketing
Sócio-gerente da Ability Serviços, com mais de 20 anos de experiência no setor condominial. Pós-graduado em Gestão de Pessoas e Gestão Financeira, é especialista em administração condominial, comunicação estratégica e marketing digital.
Criador do S10, considerado o maior programa de incentivo e reconhecimento para síndicos do Brasil, atua também como professor do Sindicalize, contribuindo para a formação e capacitação de gestores condominiais em todo o país.
Especialista em comunicação aplicada ao ambiente condominial, é apresentador do Ability Cast, podcast voltado aos setores condominial e imobiliário, onde debate tendências, governança, gestão, inovação e boas práticas do mercado.
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