Férias escolares ampliam uso das áreas comuns e elevam risco de acidentes infantis em condomínios
Maior circulação de crianças em piscinas, playgrounds e garagens exige atenção redobrada de síndicos, funcionários e famílias para prevenir quedas, afogamentos e outros acidentes
Imagem ilustrativa Com o início das férias escolares, condomínios residenciais em todo o país registram um aumento significativo na utilização das áreas comuns por crianças, como piscinas, playgrounds, quadras esportivas e salões de jogos. O período, marcado por maior convivência e lazer, também acende um alerta para o crescimento do risco de acidentes infantis, exigindo atenção redobrada de síndicos, administradoras e famílias.
De acordo com o presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), Omar Anauate, o momento demanda planejamento e comunicação clara entre a gestão condominial e os moradores.
“As férias intensificam a ocupação das áreas comuns, e isso naturalmente eleva o risco de acidentes. A prevenção passa por regras bem estabelecidas, manutenção em dia e, principalmente, supervisão constante dos responsáveis”, afirma.
Entre os espaços que exigem maior cuidado está a piscina, considerada um dos locais de maior risco. Especialistas reforçam a necessidade de fiscalização rigorosa das normas de uso, como a presença obrigatória de um adulto responsável, a proibição de brincadeiras perigosas e a verificação de itens de segurança. A recomendação inclui ainda a revisão periódica de grades, pisos antiderrapantes, bombas, filtros e ralos, além da fixação de placas visíveis com regras claras e a instalação de travas de acesso para impedir a entrada de crianças desacompanhadas.
Outro ponto sensível é a segurança elétrica. Um caso recente, em São Paulo, resultou na morte de uma criança após contato com fios desencapados próximos à casa de máquinas da piscina. O episódio reforça a importância de manter áreas técnicas sempre trancadas, restringir o acesso de crianças e garantir que todas as instalações elétricas sejam inspecionadas regularmente por profissionais habilitados.
No playground, o uso mais intenso durante as férias evidencia desgastes estruturais que podem passar despercebidos em outros períodos. Estruturas soltas, parafusos expostos e pisos inadequados estão entre as causas mais comuns de quedas e ferimentos. Por isso, a orientação é que os condomínios realizem inspeções mais frequentes e reforcem a manutenção preventiva dos equipamentos.
O aumento da circulação de bicicletas, patinetes e brinquedos sobre rodas também merece atenção especial. Colisões em garagens e corredores são riscos recorrentes, e a gestão condominial deve reforçar, por meio de comunicados, os locais permitidos para circulação e a necessidade de supervisão constante dos responsáveis.
No âmbito legislativo, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que prevê multas de cinco a 20 salários mínimos para quem deixar crianças menores de 12 anos sem supervisão em áreas comuns de condomínios, como piscinas, elevadores e coberturas. A proposta também estabelece penalidades ao síndico que não afixar, em local visível, informações sobre faixas etárias e condições de uso desses espaços.
Enquanto a proposta segue em análise, especialistas destacam que a prevenção depende da corresponsabilidade entre condomínio e famílias.
“Não existe segurança plena sem a participação das famílias. A supervisão de um adulto é sempre o fator mais decisivo para evitar acidentes”, ressalta Anauate.
Segundo ele, cabe ao síndico reforçar boas práticas por meio de campanhas internas, cartazes e comunicação constante.
“Férias são período de alegria, e é papel do condomínio garantir que esse momento também seja seguro para todos”, conclui.

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