A guerra fria entre conselheiros e síndicos profissionais agita a gestão condominial
Conflitos silenciosos entre conselhos consultivos e gestores profissionais revelam tensão na administração de condomínios e questionam limites de poder e autonomia
Foto: Reprodução Uma “guerra fria” silenciosa, mas cada vez mais presente nos condomínios brasileiros, tem colocado em choque os conselheiros condominiais e síndicos profissionais, revelando tensões profundas na gestão interna desses empreendimentos. A expressão, usada para descrever um clima de atrito contínuo e disputas de autoridade, reflete uma realidade que vai além de simples desentendimentos administrativos e se fixa em questões de competência, transparência e poder decisório entre os grupos.
Conselheiros, eleitos para fiscalizar a administração financeira e operacional do condomínio, muitas vezes se veem em conflito com síndicos profissionais — gestores contratados por sua expertise técnica e jurídica para conduzir as atividades do dia a dia. A tensão nasce, em grande parte, da diferença de perspectivas entre aqueles que representam os moradores e os gestores que buscam aplicar modelos de administração mais padronizados e eficientes.
Especialistas em gestão condominial destacam que essas divergências podem ser agravadas pela ausência de clareza nos papéis e responsabilidades de cada função, contribuindo para disputas que, embora não explícitas, impactam a governança do condomínio e a convivência entre moradores.
A presença de síndicos profissionais tem crescido no Brasil como resposta à complexidade da administração moderna de condomínios. Dados setoriais apontam que, apesar do aumento na contratação desses gestores, ainda há resistência em alguns conselhos e assembleias, seja por questões de custo, seja por preferência por síndicos orgânicos (condôminos eleitos que residem no prédio).
A relação entre conselheiros e síndicos é essencial para uma gestão condominial eficaz, e, idealmente, deve se basear na colaboração e no respeito às funções estabelecidas nas convenções e regimentos internos. Quando há desalinhamento, porém, surgem disputas sobre decisões estratégicas, análise de contas e implementação de políticas de manutenção e segurança, entre outras demandas cotidianas.
Para especialistas em direito condominial e administração predial, a solução para esse tipo de conflito passa pela formação, preparação e comunicação efetiva entre todas as partes. Conselhos bem estruturados devem compreender suas limitações legais e buscar orientação técnica quando necessário, enquanto síndicos profissionais precisam exercer sua função com transparência e abertura ao diálogo.
A guerra fria nos condomínios evidencia um debate maior sobre a profissionalização da gestão e sobre como equilibrar o poder administrativo com a representação dos moradores. A adoção de práticas de governança corporativa adaptadas ao contexto condominial, a realização de treinamentos e a promoção de assembleias participativas são apontadas como caminhos para mitigar tensões e consolidar uma administração mais eficiente e harmoniosa.

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