Itapema vai ampliar faixa de areia e impulsionar mercado imobiliário em SC
Projeto prevê alargamento da praia em até 60 metros para conter erosão e fortalecer valorização imobiliária no litoral catarinense
Por Anderson Silva
28/05/2026 - 14h54
Foto: Reprodução A cidade de Itapema, no litoral norte de Santa Catarina, deu mais um passo em direção à expansão urbana e imobiliária ao receber autorização ambiental para realizar o alargamento da faixa de areia da Meia Praia, uma das regiões mais valorizadas do município. O projeto prevê ampliação entre 20 e até 60 metros de largura ao longo de um trecho de 4,75 quilômetros da orla.
A licença ambiental de instalação foi concedida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e assinada oficialmente no último dia 6 de maio pelo governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL).
Segundo a Prefeitura de Itapema, a obra busca enfrentar o avanço da erosão costeira, fenômeno que vem reduzindo gradativamente a faixa de areia da praia nos últimos anos. Além da questão ambiental e urbana, a intervenção também é tratada como uma estratégia para fortalecer ainda mais o aquecido mercado imobiliário da cidade, que atualmente possui o segundo metro quadrado mais caro do Brasil.
O projeto prevê a aplicação de aproximadamente 416 mil a 498 mil metros cúbicos de areia ao longo do trecho compreendido entre os rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras. O material será dragado a cerca de 19 quilômetros da costa catarinense.
A expectativa é que as obras tenham início em agosto deste ano, com duração estimada entre 90 e 120 dias. O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 60 milhões, com custos divididos igualmente entre o Governo de Santa Catarina e a Prefeitura de Itapema.
Durante a assinatura da licença ambiental, o governador Jorginho Mello afirmou que a valorização imobiliária na região poderá ser significativa após a conclusão da obra.
“A valorização dos imóveis aqui, a partir da faixa de areia engordada e ampliada, vai aumentar em 40%. Eu não tenho dúvida disso. Quem está fazendo negócio já está precificando essa valorização”, declarou.
A prefeitura argumenta que o alargamento da faixa de areia será fundamental para garantir maior proteção da cidade diante de eventos climáticos extremos e do avanço do mar sobre áreas urbanizadas da orla.
O prefeito Alexandre Xepa (PL) destacou que a redução da faixa de areia já vinha impactando diretamente moradores e turistas, principalmente durante os períodos de alta temporada.
“Na alta temporada, na parte da tarde, os turistas às vezes não conseguem ficar na praia. Não tem lugar para as famílias nem para os moradores, porque a faixa de areia estava diminuindo”, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais.
Além da questão ambiental, a administração municipal também aposta no potencial turístico e econômico da intervenção. Segundo o prefeito, a ampliação da orla poderá impulsionar a realização de grandes eventos na praia e aumentar ainda mais o valor do metro quadrado construído em Itapema.
Em entrevista anterior ao portal ND+, Alexandre Xepa afirmou estimar uma valorização imobiliária de até 30% após a conclusão das obras.
Atualmente, o metro quadrado em Itapema está avaliado em R$ 15.179, de acordo com o Índice FipeZAP de Venda Residencial referente ao mês de maio, registrando crescimento de 8,22% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O levantamento mostra ainda que quatro das cinco cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil estão localizadas em Santa Catarina. Balneário Camboriú lidera o ranking nacional, seguida por Itapema, Vitória (ES), Florianópolis e Itajaí.
Com aproximadamente 75 mil habitantes, Itapema vem passando por forte expansão imobiliária nos últimos anos, impulsionada principalmente pela verticalização urbana e pelas limitações territoriais de Balneário Camboriú, considerada uma das menores cidades catarinenses em extensão territorial.
A iniciativa segue modelo semelhante ao já adotado em Balneário Camboriú, onde o alargamento da faixa de areia provocou forte valorização imobiliária e transformações urbanas na orla.
Outros municípios catarinenses também vêm adotando medidas semelhantes. Em Balneário Piçarras, por exemplo, foi concluída recentemente a quarta obra de alargamento da praia em menos de 30 anos. Um trecho de 2,4 quilômetros da orla recebeu ampliação média de 30 metros, com investimento aproximado de R$ 50 milhões.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades locais, a ampliação adicional em Piçarras foi recomendada após estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), que alertaram para riscos de erosão costeira na região.
Apesar dos benefícios apontados pelas prefeituras e pelo mercado imobiliário, especialistas ambientais alertam para possíveis impactos causados pelas intervenções pontuais de engorda da faixa de areia.
Entre as preocupações levantadas estão alterações na dinâmica costeira, riscos de erosão futura, impactos ambientais marinhos e necessidade de monitoramento contínuo das áreas afetadas.
O projeto em Itapema reacende discussões sobre urbanização acelerada no litoral brasileiro, valorização imobiliária, sustentabilidade urbana e os desafios de equilibrar crescimento econômico, turismo e preservação ambiental em cidades costeiras cada vez mais verticalizadas.


COMENTÁRIOS