Construção civil produz menos hoje do que há 30 anos e acende alerta no setor
Estudo aponta queda de produtividade, baixa qualificação da mão de obra e necessidade de modernização para recuperar a competitividade
Por Anderson Silva
08/06/2026 - 08h41
Imagem ilustrativa Construção civil enfrenta queda de produtividade e busca caminhos para modernização
A construção civil brasileira vive um paradoxo. Apesar da crescente demanda por moradias, obras de infraestrutura e empreendimentos imobiliários, o setor produz menos hoje do que há três décadas. O alerta consta em um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta uma queda de 20,4% na produtividade da construção civil entre 1995 e 2024.
O levantamento, intitulado "Construção no Brasil: Agenda para Modernização do Setor", também revela que a participação da construção civil no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de 6,4% em 2013 para 3,6% em 2024, evidenciando a perda de relevância econômica do segmento ao longo dos últimos anos.
Baixa produtividade preocupa especialistas
Segundo o estudo, cada trabalhador da construção gerou, em média, R$ 41,3 mil por ano em 2024, valor inferior à metade da produtividade observada na indústria de transformação. O cenário demonstra que o setor ainda enfrenta dificuldades históricas para aumentar sua eficiência operacional.
Entre os principais fatores apontados pela CNI estão a elevada informalidade, a baixa qualificação profissional, práticas de gestão pouco eficientes e a lenta adoção de tecnologias digitais nos canteiros de obras. Em 2021, apenas 25% dos empregos da construção possuíam vínculo formal de trabalho, enquanto somente 7,8% dos trabalhadores tinham ensino superior.
Brasil distante das referências internacionais
O estudo também mostra que o país ainda está longe dos padrões internacionais de produtividade. Em 2021, a produtividade da construção civil brasileira representava apenas 7% daquela registrada nos Estados Unidos, uma das principais referências globais do setor.
A comparação reforça a necessidade de investimentos em inovação, qualificação da mão de obra e modernização dos processos construtivos para aumentar a competitividade nacional.
Industrialização surge como alternativa
Entre as soluções defendidas pela CNI está a ampliação da construção industrializada, modelo que transfere parte da produção para fábricas e ambientes controlados, onde componentes são produzidos previamente e posteriormente montados nos canteiros de obras.
Tecnologias como estruturas metálicas, concreto pré-fabricado, light steel frame, wood frame, drywall e madeira engenheirada são apontadas como alternativas capazes de reduzir desperdícios, acelerar cronogramas e elevar a qualidade das construções.
Apesar dos benefícios, a adoção dessas soluções ainda é limitada. Dados citados pela pesquisa indicam que, embora muitas empresas utilizem algum método industrializado, sua aplicação ainda ocorre de forma parcial em grande parte das obras brasileiras.
Desafio estratégico para o futuro
A discussão ganha relevância diante do déficit habitacional brasileiro, estimado em quase 6 milhões de moradias, além da necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura para sustentar o crescimento econômico do país.
Para especialistas, o futuro da construção civil dependerá diretamente da capacidade do setor em incorporar novas tecnologias, profissionalizar sua mão de obra, reduzir a informalidade e adotar modelos produtivos mais eficientes. O desafio não envolve apenas construir mais, mas construir melhor, com maior qualidade, menor custo e mais velocidade de execução.


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