Facção é investigada por exigir renúncia de síndico para controlar serviços em condomínio de Fortaleza
Investigação aponta que integrantes do Comando Vermelho ameaçaram moradores e tentaram assumir o controle da venda de água e internet em residencial da capital cearense
Foto: Reprodução Facção é investigada por exigir renúncia de síndico para controlar serviços em condomínio de Fortaleza
Uma investigação da Polícia Civil do Ceará revelou um esquema de atuação do crime organizado que teria como objetivo assumir o controle da administração indireta de serviços essenciais em um condomínio residencial localizado no bairro Guajeru, em Fortaleza. Conforme as apurações, integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) teriam promovido ameaças a moradores e exigido a renúncia do síndico para substituir a gestão por uma pessoa ligada ao grupo criminoso.
A operação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que prendeu, no dia 16 de julho, três suspeitos em diferentes bairros da capital cearense. Os investigados foram identificados como Francisco Jefferson Rocha Araújo, Breno Matias da Silva e Ronilson Pereira do Nascimento.
De acordo com o auto de prisão em flagrante, a organização criminosa buscava controlar a comercialização de serviços considerados essenciais para os moradores, como o fornecimento de água e internet. A estratégia consistia em retirar o atual síndico da administração do condomínio e nomear uma pessoa vinculada à facção para facilitar o domínio dessas atividades.
Segundo o relatório judicial, a atuação do grupo teve início em 2025. Além da tentativa de interferência na gestão condominial, os investigados também são apontados como envolvidos com o tráfico de drogas na região do Guajeru.
Ameaças e invasões ao condomínio
As investigações apontam que os suspeitos participaram de uma série de ações criminosas contra os moradores. Entre elas, ameaças, intimidações, invasões ao condomínio e a expulsão de prestadores de serviços de água e internet que não possuíam autorização da facção para atuar no local.
Conforme a Polícia Civil, cada um dos presos teria desempenhado funções específicas dentro da organização criminosa.
Francisco Jefferson Rocha Araújo é apontado como um dos responsáveis por executar ameaças e extorsões contra os moradores. O investigado já havia sido preso em março de 2025 e, posteriormente, colocado em liberdade mediante o uso de tornozeleira eletrônica em fevereiro de 2026.
Ronilson Pereira do Nascimento também é investigado por participação nas ameaças e nas extorsões direcionadas aos condôminos.
Já Breno Matias da Silva é apontado como integrante do núcleo operacional do Comando Vermelho na região. Segundo a investigação, ele teria participado das invasões ao condomínio, da retirada de prestadores de serviços não autorizados pela facção e também seria responsável por atividades relacionadas ao tráfico de drogas na área.
Após serem presos, os três suspeitos passaram por audiência de custódia, ocasião em que a Justiça converteu as prisões em flagrante em prisões preventivas.
Outro condomínio também foi alvo de ameaças
A investigação também menciona um episódio ocorrido em 2025 envolvendo outro condomínio localizado na mesma região de Fortaleza. Na ocasião, moradores do residencial, situado no bairro José de Alencar, encontraram pichações com ameaças de morte determinando que deixassem suas residências no prazo de 24 horas.
Os criminosos chegaram a escrever nos muros as placas de veículos pertencentes a pelo menos três moradores e deixaram mensagens intimidatórias. Uma das pichações dizia: "Vocês têm 24 horas para irem embora do condomínio, se desacreditar, vamos pegar você na saída".
Os dois residenciais ficam em bairros vizinhos, separados por menos de dois quilômetros. No entanto, até o momento, não há confirmação oficial de que os dois episódios estejam diretamente relacionados.
Segurança condominial exige atuação integrada
O caso reforça o desafio enfrentado por condomínios localizados em áreas sob influência do crime organizado. Além de comprometer a segurança dos moradores, a tentativa de interferência na administração condominial e no fornecimento de serviços essenciais representa uma grave ameaça à autonomia da gestão e ao funcionamento regular dos empreendimentos.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil do Ceará, que apura a participação de outros envolvidos e busca identificar possíveis ramificações da organização criminosa na região.



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