V Congresso de Gestão Condominial de Pernambuco reúne especialistas e amplia debate sobre os novos desafios da gestão
Programação reuniu discussões sobre liderança, tecnologia, inteligência artificial, segurança jurídica, engenharia, prevenção de riscos e comportamento humano nos condomínios
Foto: Reprodução V Congresso de Gestão Condominial de Pernambuco reúne especialistas e amplia debate sobre os novos desafios da gestão
Programação reuniu discussões sobre liderança, tecnologia, inteligência artificial, segurança jurídica, engenharia, prevenção de riscos e comportamento humano nos condomínios
O V Congresso de Gestão Condominial de Pernambuco foi marcado por uma programação diversificada e pela presença de especialistas que trouxeram diferentes perspectivas sobre os desafios enfrentados diariamente por síndicos, administradoras e profissionais que atuam no setor condominial.
Ao longo do evento, os debates passaram por temas como liderança, segurança jurídica, inteligência artificial, gestão de pessoas, engenharia, manutenção predial, prevenção de riscos, comunicação e comportamento humano. Em comum, as apresentações reforçaram a necessidade de uma gestão cada vez mais preparada, preventiva e consciente.
Desde as primeiras palestras, a programação destacou que administrar um condomínio vai muito além de cuidar de contas, contratos e demandas administrativas. O síndico ocupa uma posição estratégica na condução de pessoas, na tomada de decisões e na preservação do patrimônio e da segurança dos moradores.
Liderança e inteligência humana entram no centro da discussão
Entre os assuntos abordados durante a programação esteve a transformação do papel do síndico diante de um cenário marcado pelo avanço da tecnologia e da inteligência artificial.
A discussão mostrou que ferramentas tecnológicas já fazem parte da realidade dos condomínios, mas não substituem aspectos fundamentais da atuação humana, como capacidade de liderança, análise, experiência, comunicação e tomada de decisão.
A reflexão ganhou ainda mais força durante a palestra de Vanessa Muniz, que encerrou a programação com uma abordagem voltada à consciência e ao comportamento humano.
Ao falar sobre o chamado “síndico do futuro”, Vanessa defendeu que a preparação para o futuro começa nas atitudes tomadas no presente. Para ela, o condomínio deve ser compreendido como um verdadeiro “laboratório humano”, onde convivem diferentes perfis, interesses, comportamentos e conflitos.
A especialista também apresentou o conceito de CHA — Conhecimento, Habilidade e Atitude — como uma combinação necessária para uma atuação mais preparada.
Outro ponto destacado foi a necessidade de superar a figura do “síndico salvador”, que tenta resolver todos os problemas sozinho, para construir uma atuação mais consciente, com limites, responsabilidade e capacidade de reconhecer aquilo que pertence ou não à sua função.
A inteligência humana também apareceu como elemento indispensável diante do avanço da inteligência artificial. A tecnologia pode apoiar pesquisas e processos, mas a interpretação, o discernimento e a responsabilidade continuam dependendo das pessoas.
Engenharia preventiva: segurança começa antes do problema
A programação também trouxe uma abordagem técnica sobre a importância da engenharia aplicada à gestão das edificações.
A Eng.ª Priscila Welltem chamou a atenção para situações que muitas vezes passam despercebidas na rotina dos condomínios, mas que podem representar riscos importantes para moradores, funcionários e visitantes.
Ao abordar áreas como piscinas, playgrounds, fachadas, estruturas e manutenção predial, a especialista mostrou como o conhecimento das normas técnicas e o acompanhamento profissional podem contribuir para a prevenção de acidentes.
Um dos pontos destacados foi a responsabilidade do condomínio em manter áreas comuns adequadas às condições de uso. Piscinas, por exemplo, exigem cuidados específicos com sistemas de sucção, ralos, separação entre áreas infantil e adulta e outros elementos de segurança.
A palestra também reforçou a importância da documentação relacionada às obras e intervenções realizadas nas edificações.
Para a gestão condominial, manter registros, contratos, notas fiscais, projetos, laudos e demais documentos técnicos não é apenas uma questão burocrática. Essas informações podem ser fundamentais em processos de manutenção, perícias, garantias e até na análise de cobertura de seguros.
A mensagem central foi de que a engenharia deve fazer parte de uma gestão preventiva, e não ser acionada somente quando um problema já aconteceu.
Painel jurídico aborda riscos, responsabilidade e decisões na gestão
Outro momento de destaque foi o Painel Jurídico, que reuniu André Junqueira, Érika Lócio e Márcio Miranda em uma discussão sobre questões que fazem parte da rotina de síndicos e administradoras.
Entre os assuntos abordados estiveram responsabilidade do gestor, riscos trabalhistas, documentação, comunicação e os cuidados necessários antes da tomada de decisões que possam gerar consequências jurídicas para o condomínio.
Um dos pontos discutidos foi o gerenciamento de riscos ocupacionais e a importância de identificar perigos, estabelecer medidas preventivas e oferecer treinamento adequado aos funcionários.
A discussão também chamou atenção para o fato de que acidentes de trabalho não estão restritos a ocorrências físicas. Doenças ocupacionais e riscos relacionados ao ambiente de trabalho também precisam ser considerados dentro da gestão.
Nesse contexto, documentação e prevenção aparecem novamente como elementos fundamentais.
WhatsApp exige regras e responsabilidade na comunicação
Os grupos de WhatsApp também entraram na pauta do painel jurídico.
Embora sejam ferramentas importantes para a comunicação cotidiana, os especialistas chamaram atenção para os conflitos que podem surgir nesses ambientes, especialmente diante de mensagens ofensivas, acusações, discussões e manifestações que ultrapassam os limites da convivência condominial.
A orientação apresentada foi no sentido de estabelecer critérios claros para utilização dos grupos e compreender que o WhatsApp não deve ser confundido automaticamente com um canal formal de deliberação do condomínio.
Também foi ressaltada a importância de preservar o respeito entre moradores, síndicos, funcionários e demais participantes.
Inteligência artificial não substitui profissionais especializados
Outro ponto que atravessou diferentes momentos do congresso foi o uso da inteligência artificial.
No painel jurídico, a discussão destacou os limites da utilização da IA para questões que exigem conhecimento técnico ou jurídico. A ferramenta pode auxiliar na pesquisa e na organização de informações, mas não elimina a necessidade de consultar profissionais especializados quando a situação exige análise técnica.
A mesma lógica pode ser aplicada à engenharia e à própria gestão condominial: tecnologia pode apoiar decisões, mas não substitui responsabilidade, experiência e conhecimento profissional.
Gestão também é lidar com pessoas
Ao longo do primeiro dia, ficou evidente que os desafios dos condomínios não estão apenas nas estruturas físicas, nos contratos ou nas contas.
A convivência entre pessoas apareceu como um dos grandes elementos da gestão.
Conflitos, comunicação, expectativas, diferenças de comportamento e situações pessoais fazem parte da rotina dos condomínios e exigem do síndico capacidade para ouvir, analisar e agir de maneira equilibrada.
Foi justamente nesse ponto que a palestra de Vanessa Muniz trouxe uma abordagem complementar às discussões técnicas.
Ao apresentar situações vivenciadas ao longo de sua trajetória, ela mostrou que o síndico pode se deparar com questões que ultrapassam a administração tradicional, incluindo conflitos familiares, violência, acusações e problemas emocionais.
Para a especialista, consciência, comunicação assertiva, limites e documentação são ferramentas importantes para uma atuação responsável.
Um dia de conhecimento, prevenção e transformação
Ao final da programação, o V Congresso de Gestão Condominial de Pernambuco deixou uma mensagem que atravessou diferentes palestras: o futuro da gestão condominial depende da capacidade de profissionais e gestores de se prepararem para os desafios que já fazem parte do presente.
Se pela manhã as discussões apresentaram caminhos relacionados à liderança, gestão, tecnologia e inovação, durante a tarde os debates avançaram para questões práticas envolvendo engenharia, prevenção, segurança jurídica, comunicação e comportamento humano.
Mais do que apresentar novas ferramentas, os especialistas reforçaram a importância de qualificar decisões, prevenir riscos, buscar conhecimento e compreender que administrar um condomínio significa também administrar relações humanas.
Nesse cenário, o síndico deixa de ser apenas o responsável por resolver problemas e passa a ocupar uma posição cada vez mais estratégica: a de alguém que precisa reunir conhecimento, capacidade de gestão, responsabilidade e consciência para conduzir um verdadeiro ecossistema de convivência.
O primeiro dia do congresso mostrou, assim, que a gestão condominial está em transformação — e que acompanhar essa mudança exige muito mais do que tecnologia. Exige preparo, conhecimento, prevenção, inteligência humana e capacidade de liderar pessoas.


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