Síndico é denunciado por perseguição contra corretora desaparecida em condomínio de Caldas Novas

Ministério Público acusa administrador de usar câmeras e posição de poder para vigiar e constranger moradora antes do seu sumiço

G1
Síndico é denunciado por perseguição contra corretora desaparecida em condomínio de Caldas Novas Foto: Reprodução

Caldas Novas (GO) — O caso envolvendo o misterioso desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, ganhou um novo capítulo com a denúncia criminal contra o síndico do condomínio onde ela vivia, oferecida pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) por crime de perseguição (stalking) com agravante de abuso de função.

Segundo a peça apresentada à Justiça no dia 19 de janeiro, o síndico Cleber Rosa de Oliveira teria utilizado sua posição administrativa para monitorar de forma reiterada a rotina de Daiane por meio do sistema de câmeras de segurança do prédio, criando obstáculos e situações de constrangimento que afetaram sua liberdade e privacidade.

A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Cristhiano Menezes da Silva Caires, sustenta que o comportamento do síndico se estendeu por vários meses e incluiu interferências em serviços essenciais dos imóveis administrados pela corretora, como água, energia elétrica, gás e internet, além de exigências consideradas vexatórias e controles excessivos sobre a circulação de hóspedes e moradores nas dependências do condomínio.

De acordo com familiares e registros judiciais, conflitos entre Daiane e a administração do condomínio eram frequentes, tendo gerado vários processos judiciais anteriores entre as partes. A denúncia atual foi embasada em elementos colhidos desses litígios e em relatos que apontam que o síndico teria agido de forma reiterada para constranger a moradora.

O episódio do desaparecimento de Daiane, ocorrido em 17 de dezembro de 2025, permanece sem solução. Imagens de câmeras de segurança mostram a corretora descendo ao subsolo do prédio por volta das 19h para verificar falhas no fornecimento de energia, mas não registram sua saída ou retorno ao apartamento — que foi encontrado trancado pela família após o sumiço.

A denúncia contra o síndico não está vinculada diretamente à investigação do desaparecimento, que corre sob sigilo e sob coordenação da polícia civil local, com participação de grupos especializados em investigação de homicídios e diligências em áreas próximas ao condomínio.

O MP-GO também solicita à Justiça a condenação do denunciado pelo crime de perseguição com agravante de abuso de função, bem como a aplicação de indenização por danos morais em valor mínimo equivalente a dois salários mínimos, em razão das condutas atribuídas a ele.

O caso segue mobilizando familiares e a comunidade local, que cobram respostas sobre o paradeiro de Daiane e acompanham atentamente os desdobramentos judiciais e policiais, enquanto a administração do condomínio reivindica a necessidade de esclarecimentos formais das acusações.




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