Construção civil perde quase 600 mil trabalhadores desde 2010 e enfrenta apagão de mão de obra
Setor registra queda histórica na força de trabalho, com menor contratação em 2025 e impactos em prazos, custos e qualidade de obras no país
Imagem ilustrativa A construção civil brasileira vive um momento crítico de escassez de mão de obra, com redução significativa no número de trabalhadores formais ao longo da última década e impactos palpáveis no ritmo de obras, nos custos de empreendimentos e na qualidade da execução de projetos em todo o país.
De acordo com dados compilados pela imprensa especializada, o número de profissionais com carteira assinada no setor caiu de 3,2 milhões em 2010 para 2,6 milhões atualmente, representando a perda de quase 600 mil trabalhadores formais em pouco mais de uma década. Essa queda ocorre mesmo em um contexto de crescimento nos investimentos públicos e privados no segmento de construção de moradias e infraestrutura.
O descompasso entre oferta e demanda de mão de obra teve reflexos diretos em 2025, com o setor registrando uma redução de 9,4% nas contratações formais, o pior desempenho desde 2021. As consequências são visíveis no cotidiano: obras públicas paralisadas, empreendimentos entregues além do prazo e forte pressão sobre os preços de aluguel e do metro quadrado em diversas regiões.
A escassez de profissionais atinge todas as categorias, desde serventes até mestres de obra, conforme apontam levantamentos recentes. Estima-se que 82% das empresas enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores, enquanto cerca de 70% relatam não encontrar mão de obra qualificada — um problema que compromete cronogramas e padrões de execução.
Um dos fatores centrais dessa crise é a mudança geracional e cultural no mercado de trabalho brasileiro. A Geração Z, composta por jovens nascidos a partir de 1995, demonstra menor interesse em atuar no setor da construção, optando por carreiras com ambiente de trabalho mais confortável e remuneração percebida como mais atrativa, como empregos ligados à tecnologia e à economia de aplicativos.
A consequência dessa dinâmica é um envelhecimento da força de trabalho no setor, que sofre com a falta de jovens talentos e substitutos para profissionais experientes que se aposentam ou migram para outras atividades.
Os efeitos dessa escassez vão além do mercado de trabalho: o aumento dos custos da mão de obra tem pressionado os preços finais dos imóveis, tornando mais difícil o acesso à moradia própria e ampliando o custo de construção para incorporadoras e investidores.
Em resposta ao cenário, o setor tem buscado soluções em várias frentes, incluindo programas de qualificação profissional, parcerias com instituições técnicas e tecnológicos e a adoção de processos industrializados que reduzem a necessidade de grande número de trabalhadores no canteiro de obras.
O conjunto dessas estratégias sinaliza um esforço do setor para se adaptar a um novo modelo de mercado de trabalho, mas os especialistas alertam que sem medidas estruturadas de formação, atração de jovens e valorização da mão de obra, a crise tende a se estender, afetando não apenas construtoras, mas toda a cadeia imobiliária e de infraestrutura do país.

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