Polícia diz que síndico que matou corretora compartilhou apenas trechos de câmeras de condomínio
Investigação em Caldas Novas (GO) revela que o síndico limitou registros de vigilância e utilizou rotas sem câmeras para ocultar crimes e dificultar apuração
Foto: Reprodução A investigação policial sobre o homicídio da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO), revelou que o síndico do condomínio onde a vítima morava restringiu o acesso a registros de câmeras de segurança, compartilhando apenas trechos de três dos dez dispositivos existentes, na tentativa de dificultar a apuração dos fatos pelos investigadores.
Conforme detalhado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), as imagens completas do sistema de monitoramento eletrónico do edifício deveriam abarcar todos os acessos, corredores e rotas internas, mas o síndico optou por apresentar apenas as gravações parciais — medida que, segundo a polícia, impediu inicialmente a reprodução integral dos acontecimentos que levaram ao desaparecimento e à morte de Daiane.
A investigação apontou que o crime ocorreu em 17 de dezembro de 2025, quando a corretora foi vista pela última vez descendo até o subsolo do prédio para checar uma queda no fornecimento de energia elétrica. Em um intervalo de poucos minutos, os registros oficiais mostram sua movimentação até o elevador, mas não capturam o ataque nem a subsequente retirada do corpo do local — justamente porque parte da cobertura de câmeras foi omitida ou não disponibilizada inicialmente.
Segundo a polícia, o síndico teria utilizado as escadas e rotas não monitoradas por câmeras para escapar do prédio com o corpo da vítima, evitando assim ser filmado na passagem pelo sistema de segurança. Além disso, ele foi apontado por desligar manualmente o fornecimento de energia como artifício para atrair Daiane ao subsolo no momento do crime.
A recuperação de imagens registradas no celular da própria vítima, encontrado por peritos em uma tubulação de esgoto dentro do condomínio, ofereceu novos trechos de vídeo essenciais para reconstruir parte da dinâmica do ataque — informação que, somada ao trabalho de perícia técnica, contradisse versões iniciais e reforçou a hipótese de premeditação.
O corpo de Daiane foi localizado apenas cerca de 40 dias após o desaparecimento, às margens da rodovia estadual GO-213, em área de mata e aproximadamente 15 quilômetros distante do condomínio. A perícia identificou dois disparos de arma de fogo como causa da morte, reforçando a acusação de homicídio doloso seguida de ocultação de cadáver contra o síndico.
Além do compartilhamento parcial das imagens, a polícia também apurou que o filho do síndico participou de ações para tentar obstruir a investigação, incluindo a substituição de celulares e outros dispositivos, o que poderá acarretar em acusações adicionais por obstrução de justiça.
O caso, que chocou a cidade e gerou ampla repercussão, ressalta a importância de sistemas integrados de segurança com acesso transparente e completo, bem como a necessidade de políticas claras para o uso e preservação de imagens de vigilância em condomínios residenciais, de forma a não comprometer a investigação de crimes graves ocorridos em tais ambientes.

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