Restrições em imóveis novos exigem atenção redobrada de compradores

Sistemas construtivos modernos limitam reformas, instalações e hábitos cotidianos e tornam a leitura do memorial descritivo essencial antes da compra

G1
Restrições em imóveis novos exigem atenção redobrada de compradores Imagem ilustrativa

Restrições em imóveis novos exigem atenção redobrada de compradores, alertam especialistas

O sonho da casa própria, especialmente a compra de um apartamento novo, tem exigido cada vez mais atenção dos consumidores. Sistemas construtivos modernos, adotados para reduzir custos e atender a critérios ambientais, impõem restrições que podem limitar reformas, adaptações e até hábitos cotidianos dentro do imóvel.

Muitos compradores acreditam que, após a entrega das chaves, poderão modificar livremente o apartamento. No entanto, a forma como o prédio é projetado e construído pode impedir desde intervenções simples — como a instalação de nichos em banheiros — até mudanças maiores, como a troca do tipo de chuveiro ou a instalação de ar-condicionado.

De acordo com o especialista em condomínios Márcio Raskowski, todas essas limitações constam no projeto do empreendimento e precisam ser observadas com cuidado antes da assinatura do contrato.

“Quem compra um imóvel na planta precisa ler atentamente o Memorial Descritivo, um documento obrigatório que a construtora registra em cartório e que detalha todas as características técnicas da obra”, explica.

Segundo ele, o momento da visita ao estande de vendas, marcado por forte apelo emocional, não pode substituir a análise criteriosa dos documentos.

“Não dá para decidir apenas pelo que está sendo mostrado. É fundamental verificar, ponto por ponto, o que está previsto no papel”, alerta.

Alvenaria estrutural impõe limites às reformas

Entre os modelos construtivos mais restritivos está a alvenaria estrutural, técnica cada vez mais comum em edifícios residenciais. Nesse sistema, as paredes fazem parte da estrutura do prédio e não podem ser perfuradas, cortadas ou demolidas.

“Qualquer intervenção indevida pode comprometer a segurança do morador, da família e até dos vizinhos”, afirma Raskowski.

Ele destaca que, nesses casos, nem mesmo a instalação de pregos é permitida. Quadros, por exemplo, devem ser fixados com suportes adesivos, sem perfuração da parede.

A restrição também afeta tendências atuais de decoração, como nichos embutidos em banheiros.

“Não é uma questão estética ou de frescura, é segurança. Tudo isso está previsto no projeto”, reforça.

Ausência de ralos e mudança de hábitos

Outro ponto que costuma gerar frustração é a ausência de ralos em cozinhas e banheiros, fora da área do chuveiro. Em muitos empreendimentos novos, esses ambientes são classificados como áreas secas e não possuem impermeabilização adequada.

“Nesses casos, jogar água no chão pode causar infiltrações e atingir o apartamento de baixo”, explica o especialista.

A recomendação é adotar a chamada limpeza seca ou química, sem uso excessivo de água.

Além da segurança estrutural, a prática está ligada à economia e à sustentabilidade.

“Reduz custos de construção e incentiva o uso consciente da água”, destaca Raskowski, embora reconheça que se trata de uma mudança cultural para muitos brasileiros.

Ar-condicionado e chuveiro também exigem previsão em projeto

A instalação de ar-condicionado e a escolha do tipo de chuveiro também dependem do que está previsto no projeto do edifício. Colocar um equipamento sem a infraestrutura adequada pode sobrecarregar o sistema elétrico e até provocar incêndios.

No caso do chuveiro a gás, a limitação costuma estar na ausência de tubulação específica.

“Não adianta tentar adaptar apenas um apartamento. Seria necessário modificar todo o prédio, o que é inviável financeiramente”, explica.

Atenção ao contrato evita frustrações

A orientação do especialista é clara: todas as promessas feitas pelo corretor devem constar por escrito no contrato.

“Nada pode ficar apenas na conversa. O que não está no papel não existe”, afirma.

As restrições, segundo ele, não são ilegais, desde que estejam claramente previstas nos documentos.

“O problema surge quando o comprador não lê com atenção e depois sente que foi enganado”, conclui.

Para quem busca um imóvel novo, especialmente nos empreendimentos mais econômicos, a recomendação é pesquisar, ler o Memorial Descritivo com calma e esclarecer todas as dúvidas antes de fechar negócio — garantindo que o sonho da casa própria não se transforme em dor de cabeça.




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