Projeto proíbe taxa mínima de água por unidade em condomínios sem medição individual
Proposta em análise na Câmara dos Deputados reage ao entendimento do STJ que permite cobrança de tarifa mínima multiplicada sem hidrômetro individual
Foto: Reprodução Brasília — A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 1845/25, que propõe alterar a Lei Nacional de Saneamento Básico para vedar a cobrança da tarifa mínima de água multiplicada pelo número de unidades em condomínios que dispõem de apenas um hidrômetro coletivo.
A iniciativa do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) surge como resposta ao novo posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que passou a admitir a cobrança da chamada tarifa mínima por economia — ou seja, por unidade condominial — mesmo quando o consumo é medido por um único hidrômetro para todo o prédio.
Pelo texto em tramitação, nas edificações com múltiplas unidades (residenciais ou comerciais) e hidrômetro único, o consumo total do prédio deverá ser dividido pelo número de unidades para gerar uma média que servirá como base tarifária real. Essa média, segundo o projeto, refletiria de forma mais justa o consumo efetivo de água de cada condômino, sem penalizações indevidas.
A proposta expressamente proíbe a prática conhecida como “multiplicação da tarifa mínima”, pela qual concessionárias de água cobram um valor fixo mínimo de cada apartamento, mesmo que o consumo total do edifício tenha sido inferior à soma dessas tarifas.

Segundo o autor do PL, a mudança de jurisprudência pelo STJ gera um “ônus desproporcional” às famílias, sobretudo às de menor renda, e contraria princípios fundamentais de modicidade tarifária e estímulo ao consumo consciente.
“A nova tese revela-se incompatível com os princípios da modicidade tarifária e penaliza justamente aqueles que adotam práticas de consumo consciente”, argumenta o deputado Jordy.
Sob análise na Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC), o projeto aguarda parecer conclusivo da comissão antes de seguir para demais etapas do processo legislativo. Especialistas consultados destacam a relevância da proposta para a gestão de recursos hídricos e o impacto financeiro direto sobre as famílias e sobre a administração condominial, que frequentemente enfrenta conflitos relacionados à divisão de despesas em edificações com medição coletiva.
A matéria também integra um debate mais amplo sobre a necessidade e os benefícios da individualização da medição de água em condomínios, tema já objeto de outras propostas legislativas e políticas públicas que buscam refletir o consumo real dos moradores e evitar distorções no rateio de encargos.

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