Justiça mantém multa a moradora por alimentar gata em área comum de condomínio em Goiás
Decisão do TJGO reforça validade das normas internas e moradora afirma que recorrerá ao STJ contra a penalidade
Gata chamada de Menina está sendo alimentada na calçada do prédio. Foto: Redes Sociais Uma decisão recente da Justiça reforçou a autonomia das regras internas em condomínios e reacendeu o debate sobre a alimentação de animais em áreas comuns. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) manteve a multa aplicada a uma moradora que alimentava uma gata dentro do condomínio.
De acordo com o processo, a penalidade foi aplicada com base nas normas internas do residencial, que proíbem a permanência e alimentação de animais sem tutor nas áreas comuns. A moradora questionou a decisão judicialmente, alegando que a prática não causava prejuízos e estaria relacionada à proteção animal.
No entanto, o entendimento da Justiça foi no sentido de que a convenção condominial e o regimento interno possuem força normativa entre os condôminos e devem ser respeitados. A decisão reforça que, ao viver em condomínio, o morador se submete às regras coletivas previamente estabelecidas.
Segundo a fundamentação, a proibição pode ser considerada legítima quando visa preservar aspectos como higiene, segurança e sossego dos demais moradores, especialmente em áreas de uso comum.
Apesar da derrota judicial, a moradora informou que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que pode levar o tema a uma discussão de âmbito nacional.
Regras internas x proteção animal
O caso evidencia um dos principais pontos de tensão no ambiente condominial: o equilíbrio entre normas internas e a proteção aos animais. Embora legislações locais incentivem o cuidado com animais comunitários, decisões judiciais têm reforçado que essas normas não se sobrepõem automaticamente ao direito de propriedade privada e à autonomia condominial.
Especialistas destacam que o síndico e a gestão condominial devem agir com cautela, buscando soluções equilibradas, como regulamentações específicas ou espaços adequados, sempre respeitando a convenção e evitando conflitos entre moradores.
Alerta para síndicos e moradores
A decisão do TJGO serve como alerta: regras internas devem ser claras, bem comunicadas e aprovadas em assembleia, garantindo segurança jurídica para sua aplicação.
Para os moradores, o caso reforça a importância de conhecer e respeitar o regimento interno, evitando multas e disputas judiciais que podem se prolongar por anos.
O tema segue em debate e pode ganhar novos contornos caso o recurso ao STJ avance, podendo influenciar futuras decisões em todo o país sobre a convivência entre moradores e animais em condomínios.
Processo: 5569929-61.2021.8.09.0051


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